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Haia, Holanda
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Jovens holandeses põem sua marca na política

Data de publicação : 25 Junho 2012 - 12:34pm | Por John Tyler (Foto: G500)
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Na Grécia e na Itália jovens estão tomando as ruas em movimentos políticos. Na Holanda, mil jovens têm a esperança de abalar o establishment político de outra forma. O grupo denominado G500 – G de geração e 500 porque era o número de participantes inicialmente previsto. Mais de mil jovens se inscreveram e 100 deles participaram de sua primeira convenção política neste final de semana.

O partido liberal VVD recebeu os membros do G500 em sua convenção em Haia. O movimento jovem propôs mudar o apoio do VVD sobre o desconto em imposto de renda da taxa de juros de hipotecas, um assunto que há muito tempo é um tabu dentro do partido. Embora a proposta não tenha sido aprovada, Bart Voorn, membro do G500, ficou satisfeito com a reação.

“Estou muito satisfeito com a maneira como as coisas correram hoje. Apresentamos vários exemplos bons e concretos de como podemos movimentar o mercado residencial.”

Mudança interna
A convenção do VVD foi o primeiro teste para a estratégia do G500. Um dos fundadores do grupo é Sywert van Lienden, que tem apenas 21 anos, mas já é um rosto familiar no circuito de talk shows. “O sistema político holandês está mostrando sinais de decadência. Temos que mudar a maneira como a política funciona”, diz Van Lienden. Mas em contraste com os movimentos jovens dos anos 60 e 70, o G500 não quer fazer uma revolução. Quer, sim, provocar mudanças ganhando influência interna no atual sistema político.

O objetivo do G500 é se ‘infiltrar’ nos três partidos que têm em turnos comandado a política em Haia desde a segunda Guerra Mundial – a Aliança Democrata Cristã (CDA), o Partido Trabalhista (PvdA) e o Partido Liberal (VVD). Quem se une ao G500 concorda em se afiliar a um destes três partidos e, principalmente, em participar das convenções onde a política do partido é decidida.

Como funciona
Por que isso é importante? O esforço concentrado de um número relativamente pequeno de pessoas pode fazer uma enorme diferença. Partidos políticos ‘refinam’ suas políticas em suas convenções, onde os membros podem propor mudanças e podem votar. Mas as convenções normalmente atraem apenas alguns milhares de membros. Assim, algumas centenas de novos membros participando da convenção podem ter influência.

Se o G500 vai conseguir resultados é uma outra questão. Eles publicaram 10 pontos que querem que sejam adotados por cada partido, incluindo mais verba para a educação, mais flexibilidade no setor de empregos e mudanças na maneira como se paga o seguro saúde e a aposentadoria.

Não será fácil
Céticos dizem que o grupo não é suficientemente organizado para ser eficiente, e que participar de convenções é só o começo. Partidos têm uma miríade de regras e regulamentos que mesmo para os veteranos são complicados. O G500 terá que fazer o dever de casa com muita atenção para ter alguma chance de ter uma de suas moções aprovadas.

O establishment dos partidos também pode tentar desarmar os jovens, não por excluí-los, mas cooptando-os, fazendo com que também se atolem no pântano da burocracia partidária. Membros do G500 terão que estar atentos contra propostas como a formação de comitês para estudar suas ideias.

Juventude em apuros
Olhando para além das fronteiras, a Holanda pode se considerar um país de sorte. O desemprego entre jovens é estimado em 12%, enquanto a média na União Europeia é de 18%. De acordo com a revista Newsweek, quase metade dos adultos até 25 anos na Espanha e na Grécia está desempregada. Muitos jovens sentem que seus governos não os levam em consideração ao decidir suas políticas. O governo norte-americano gasta 2,4 vezes mais com idosos do que com crianças e adolescentes, de acordo com uma pesquisa recente da Brookings. A revista Esquire trouxe há pouco tempo como reportagem de capa uma história intitulada ‘The recession didn't gut the prospects of American young people. The Baby Boomers took care of that’ (A recessão não acabou com as perspectivas dos jovens estadunidenses. Os baby-boomers o fizeram).

Reformas holandesas
As perspectivas para os jovens holandeses podem ser menos sombrias, mas várias reformas propostas recentemente são vistas como benéficas para os baby-boomers que estão envelhecendo, às custas da juventude. O G500 diz que a proposta de aumentar a idade de aposentadoria para 67 anos não é o suficiente, e que os jovens terão que arcar com o ônus da aposentadoria dos baby-boomers, com pouca perspectiva de terem eles próprios os mesmos benefícios. O G500 também quer que o mercado de trabalho se abra de forma mais agressiva, uma vez que aqueles que se beneficiam da rigorosa proteção de trabalhadores existente atualmente em geral são os mais velhos, com contratos de trabalho permanentes.

O G500 tem recebido críticas positivas e negativas por sua performance na convenção do VVD no sábado. O número de jovens participando não foi ‘esmagador’, mas foi o início de uma campanha para mudar a política holandesa.
 

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