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Humor: equilíbrio delicado

Data de publicação : 21 Maio 2012 - 1:16pm | Por Redactie RNW (Ilustração: (c) Cartoon Movement)
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Política, sexo, religião são os ingredientes favoritos para sátiras, piadas e cartuns em qualquer parte do mundo. Mas cuidado: em muitos lugares mesmo a esfera privada é vigiada. Pobre daquele que ultrapassar os limites dos códigos implícitos.

Principalmente líderes políticos ‘abençoados’ com um grande ego não estão acostumados a piadas nas quais eles ocupam o papel central. O poder é sagrado na África, mesmo agora que o culto a personalidades aos poucos vai desaparecendo, diz o cartunista Damien Glez, de Burkina Faso. Para ele, ainda é difícil desenhar Gnassingbé Eyadéma, mesmo agora que ele já não é mais presidente do Togo. “Mesmo que isso não tenha nada a ver com o humor dos togoleses.”

Politicamente correto
Há limites para o humor? Piadas que não se pode fazer? A política ainda é uma batata quente. Assim como etnias e sexo.

Na Holanda o tabu sobre assuntos políticos delicados está diminuindo um pouco. Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, do assassinato do político Pim Fortuyn (2002) e do cineasta, colunista e crítico do islã Theo Van Gogh (2004), comediantes declaravam abertamente que mediam suas palavras.

Já não se podia fazer piadas sobre o islã ou origem étnica. Espectadores bravos que iam reclamar depois de uma apresentação eram mais regra que exceção. Colunistas de jornais e da internet recebiam mensagens com ameaças e comentários injuriados. “Temos mais consciência do que antes do que as palavras podem provocar”, diz Melle van den Berg, editor da revista satírica online ‘De Speld’ . Embora as reações agressivas não tenham desaparecido, as coisas estão mais calmas do que há dez anos. “Então imperava a autocorreção entre humoristas e colunistas.”

Irritações cotidianas
Na China, é melhor não fazer piadas abertas, nas quais se dá nome aos bois. Uma paródia leve, na qual um político pode ser reconhecido, mas nunca chamado pelo nome, ainda é possível. Mas ridicularizar líderes políticos, como se faz no Ocidente, é impensável. Piadas sobre grandes injustiças ou sobre coisas cotidianas sim, mas só se todos já estiverem falando do assunto. Mas ainda não se faz piada sobre o escândalo de corrupção em torno de Bo Xilai, por exemplo.

O humorista de comédia stand-up Zhou Libo, de Shangai, fala de irritações cotidianas e acontecimentos gerais em seus shows sem muito problema. Mas o fato de usar principalmente seu dialeto local tem um papel. A maioria dos chineses não entende suas piadas. Graças ao YouTube, Zhou Libo começa a ganhar maior popularidade. (clique aqui para assistir a um vídeo com subtítulos em inglês)

Conheça seu público
“Ajuda quando você sabe quem é o seu público”, diz o cartunista queniano Gado. No Quênia, a sexualidade em geral, e a homossexualidade, em especial, são temas delicados. Bem como religião. “Às vezes você procura o limite do admissível para falar de um determinado assunto. Aí os limites culturais e tradicionais aparecem por conta própria. Mas se eu conheço o meu público, sei o que posso e o que não posso dizer.”

E mesmo assim pode-se ter surpresas. Em 2005, antes dos problemas causados pelos cartuns dinamarqueses de Maomé, ele desenhou uma terrorista suicida. Ela perguntava a um xeique quantos virgens ela receberia se concluísse sua tarefa. Gado foi soterrado por reclamações e o jornal teve que pedir desculpas. “Nunca imaginei que isso aconteceria, porque perguntei apenas o que ela receberia, já que terroristas homens têm como perspectiva um harém de virgens.”

O editor holandês Melle van den Berg deixa clara a diferença entre humor gratuito e humor inovador. “Humor que busca efeito, puramente para chocar, não faz meu estilo. Gosto de sutileza, mas busco sempre os limites. E se o público recebe bem, da próxima vez você pode ousar mais.” Por isso ele prefere não falar nos ‘limites da piada’. “A arte é sempre empurrar o limite para mais além.”

“Rejeitamos muita coisa”, diz Van den Berg, falando sobre a grande quantidade de colunas e artigos sobre o islã e minorias que a ‘De Speld’ recebe diariamente. “Um texto tem que tocar no que acontece na sociedade. Ofender por ofender não acrescenta muito.”

* Artigo escrito com colaboração das jornalistas Mirjam van den Berg, Bei Wang e Willemien Groot.
 

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