Holandeses continuam praticando sexo com menores no exterior sem temer punições. Há cinco anos, houve mudança na lei, para possibilitar o enquadramento judicial de holandeses envolvidos nesse tipo de turismo. No entanto, apenas dois casos chegaram à barra dos tribunais, segundo um relatório da organização de defesa dos direitos da criança, Terre des Hommes.
A Terre des Hommes cita como exemplo o Camboja, onde, anualmente, chegam mais de cem mil turistas. Entre eles, um número desconhecido de holandeses à procura de sexo com menores.
No Camboja há muita pobreza e uma grande indústria do sexo. Muitas crianças se dedicam à prostituição tanto em prostíbulos quanto na rua. A porta-voz da organização humanitária Terre des Hommes, Lucien Stöpler, afirma que "basta um doce para atrair essas vítimas".
País de procedência
Sem capacidade para combater a invasão desses turistas, a polícia do Camboja está recorrendo aos países de procedência dos turistas para garantir punição aos criminosos.
Segundo a Terre des Hommes, ainda que decisão pareça acertada o Ministério da Justiça da Holanda não deveria esperar para agir apenas quando descobrir algum caso. Para Stöpler é improvável que entre centenas de milhares de turistas que visitaram o Camboja apenas dois tenham se envolvido em abusos. Ela assinala que em outros países europeus a justiça tem sido capaz de processar muitas pessoas por causa de abusos sexuais fora das fronteiras.
Capacitação
Stöpler explica que a Grã-Bretanha tem dado treinamento a policiais do Camboja para detectar britânicos infratores e persegui-los judicialmente. A Holanda deveria seguir o exemplo, segundo a porta-voz da Terre des Hommes. Até agora, as autoridades holandesas têm apenas contatado o governo cambojano sobre o assunto.
Para Stöpler, sem a ajuda da Holanda, a polícia cambojana não tem como conhecer as características dos holandeses suspeitos. Quando os cambojanos prendem um cidadão holandês suspeito, não sabem como atuar.
Fazer ouvidos moucos ao tema equivale ao governo holandês dizer que "não está ocorrendo nada e vamos continuar dormindo tranqüilos", segundo a porta-voz da Terre des Hommes.
Por conta própria, a organização de ajuda humanitária começou a capacitar pessoas para enfrentar o problema no Camboja, mas Stöpler considera a medida insuficiente. Para ela, é necessário investir tempo e dinheiro nesse país que está se recuperando de uma situação de guerra e é vulnerável.
A regulamentação da caçada aos turistas em busca de sexo com crianças nesse país asiático significaria um grande benefício a essa parcela frágil da população do país.
Sem ajuda holandesa
A Terre des Hommes assinala que as autoridades holandesas não colaboram nem têm tido interesse em participar de investigações. Para Stöpler, é um indício de que a Justiça holandesa não está verdadeiramente interessada no tema.
A instituição de apoio a crianças em países pobres, que mantém escritório na Holanda, apresentará um relatório crítico sobre o desinteresse das autoridades em relação ao problema ao Parlamento local. Com isso, espera sensibilizar o ministro da Justiça, Hirsch Balin, sobre o caso.
Tradução: Mário de Freitas













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