Um grupo de dez especialistas conseguiu assegurar a liberdade do agente humanitário holandês Peter Oosterhuis e de um colega afegão seis semanas depois de terem sido sequestrados no Afeganistão.
Levou uma hora até que os sequestradores comparecessem ao local combinado na província de Kunduz. Para a equipe que conduziu as negociações, pereceu uma eternidade. Eles liberariam mesmo os dois?
Oosterhuis, de 33 anos, e seu colega (cujo nome não pode ser divulgado) foram arrastados de seu carro há seis semanas quando dirigiam pela estrada que liga as províncias de Kunduz e Takhar. Embora seja sabido que a estrada é perigosa, Oosterhuis, que é psicólogo, não viu motivo para tomar uma rota diferente. Ele planejava encerrar um projeto organizado por seu empregador, a organização Streams Afghanistan, e voltar para sua esposa e três filhos na Holanda. O dinheiro para o projeto, que ajudava deficientes em Thakar, tinha acabado.
Especialistas
Assim que Oosterhuis ligou para seus pais na Holanda para dar a má notícia, a Streams Afghanistan começou a procurar especialistas. Alguns foram encontrados na Holanda, outros no Afeganistão. Entre eles especialistas em negociações e em Afeganistão. A missão parecia estar indo bem. Parentes ansiosos começaram a enviar e-mails otimistas antecipando a boa notícia. Mas suas esperanças foram prematuras. Os sequestradores mudaram de ideia.
Cada vez mais, a equipe temia que os sequestrados poderiam ter o mesmo fim de Linda Norgrove, a agente humanitária britânica que provavelmente foi morta por uma granada norte-americana quando forças dos EUA e do Reino Unido tentavam libertá-la. “Era horrível saber que poderia acontecer com eles também”, diz Evert Kroon, porta-voz da Streams Afghanistan. “Sabíamos que quanto mais tempo passasse, maiores as chances de uma intervenção militar.”
O exército dos EUA, segundo Kroon, não interferiu com as negociações – nem mesmo tentou. Um resultado ruim, afinal, seria péssima publicidade para a guerra.
Iniciativa própria
O ministro do interior da Holanda também não se juntou às negociações. “Logo ficou claro que Haia não iria pagar um resgate”, diz Kroon. Eles mesmos tinham que agir. As autoridades Afegãs, embora amistosas, praticamente não ajudaram. A polícia afegã tentou encontrar os sequestradores, mas falhou em coordenar suas ações com a Streams Afghanistan. A equipe de especialistas, os sequestrados e os sequestradores eram os atores principais. “Parecia um filme B”, conta Kroon. “Num minuto você estava falando com Peter, ouvindo sua voz tão familiar; no outro os criminosos estavam fazendo novas exigências. Foi bizarro.”
Pagamento de resgate?
Mesmo quando um membro da equipe já estava esperando no local combinado, ainda não se sabia se as coisas dariam certo. “Ele não levava nenhum pagamento”, destaca Kroon. “Eles continuavam pedindo quantias diferentes. Numa hora milhões e de repente muito menos. Nós estávamos decididos a não pagar nada.”
A Streams Afghanistan gastou muito, ele admite, mas para cobrir as despesas de toda a operação. A equipe deixou claro para os sequestradores que eles tinham pego “um peixe pequeno” e que não havia dinheiro disponível.
Helicóptero
Com a aproximação do momento combinado para a liberação, a tensão aumentou e Kroon se recusava a ser otimista. “Pensei: não vou achar que nada está garantido até ouvir a voz de Peter. Não tínhamos como ter certeza de que ele realmente estaria lá. Durante as negociações, nas semanas precedentes, ficamos desapontados muitas vezes.”
No final, realmente aconteceu. Na última quinta-feira, às 19h45, hora da Holanda, os sequestradores libertaram ambos os sequestrados. A pedido próprio, o colega afegão foi imediatamente para o norte do Afeganistão para encontrar sua família. Um helicóptero da Otan levou Oosterhuis até a capital, Kabul.
Psicólogos
“Inicialmente, parecia que os dois tinham sido bem tratados”, diz Evert Kron. Mas uma longa conversa com Peter Oosterhuis provou que estavam errados. Eles não eram sempre bem alimentados e eram continuamente levados de um lugar para outro para evitar as forças de segurança afegãs. “Isso teve um efeito negativo sobre eles.”
Segundo Kroon, os dois estão agora recebendo cuidados psicológicos. Oosterhuis deve chegar à Holanda no início desta semana.














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