Um novo mercado turístico surge na Holanda: o de visitantes vindos do Brasil, Rússia, Índia e China. E o setor turístico holandês está fazendo o melhor que pode para atrair cidadãos destes quarto países emergentes.
“Nós estamos trabalhando no mercado chinês há três anos. A China é um mercado de crescimento”, diz Qing van Rossum da Royal Delft (fábrica de porcelana) e do museu de Delft. “Milhares de chineses participam de nossas visitas guiadas todos os anos, há um crescimento enorme. O volume dobra anualmente, tanto em número de visitantes quanto em faturamento. Nós temos grandes expectativas. Nossa ambição é 10 mil. E os russos estão vindo também. Eles têm muito dinheiro.”
A Royal Delft produz a famosa porcelana azul da cidade de Delft (no sul da Holanda) desde 1653. Os produtos não são apenas para exportação, a fábrica também atrai muitos turistas. Há inclusive visitas guiadas em chinês e russo.
Novas oportunidades
A Royal Delft é uma empresa que está se adaptando às novas oportunidades e o Conselho Holandês de Turismo está no centro destas mudanças. O órgão tem escritórios em diversos países, o que lhe proporciona a chance de focar no BRIC – grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China. Em 2009, cerca de 40 mil turistas visitaram a Holanda (número que representa apenas 4% do total de visitantes estrangeiros). Mesmo assim, o Conselho Holandês de Turismo acredita que é importante focar nestes países pois suas economias estão crescendo rapidamente.
“Pessoas destes países estão começando a viajar. Especialmente da China, que está se tornando um super poder”, diz Jos Vranken do Conselho Holandês de Turismo. “Primeiro eles exploram seus próprios países, depois países vizinhos. Em mercados emergentes como este, você percebe que eles começam a querer ir para países distantes. E a Holanda, como outros destinos europeus, quer se beneficiar com isto.”
A maioria dos turistas na Holanda são os próprios holandeses e cidadãos de países vizinhos. Mas enquanto o número de turistas estrangeiros caiu 2% em 2009 devido à crise financeira, o volume de pessoas provenientes do BRIC cresceu.
Clássicos holandeses
O que os turistas querem realmente ver? “Nós tentamos satisfazer os desejos do mercado da melhor maneira possível com a marca ‘Holanda’. Os chineses, russos e indianos têm uma imagem preconcebida da Holanda: tamancos, moinhos de vento, tulipas, mestres da arte. Nós os chamamos de clássicos holandeses. Mas com o passar do tempo, o gosto muda. Os norte-americanos têm uma visão muito mais ampla hoje do que tinham há 20 anos. Eu acho que com os turistas do BRIC esta mudança vai ser mais rápida”, diz Vranken.
Beliches
Enquanto muitos hotéis não estão interessados no fluxo de visitantes chineses, outros estão sendo comprados por empresários da China. Eles colocam beliches nos quartos para manter os preços baixos. Como resultado, ônibus lotados de turistas chineses acabam se hospedando nestes hotéis.
De acordo com o Conselho Holandês de Turismo, proprietários de hotéis têm que decidir se devem ou não dar atenção especial aos turistas do BRIC. Se a decisão for pelo sim, eles têm que procurar aprender mais sobre seus hóspedes. A comida holandesa é geralmente muito suave. Indianos, por exemplo, são geralmente vegetarianos e querem mais serviços e quartos para toda a família. “Todos que economizaram para sair de férias querem ser tratados um pouquinho como reis”, diz Vranken. “Nós poderíamos oferecer isto aqui na Holanda com um pouco mais de serviço com um sorriso no rosto.”
* Foto de abertura via Flick CC: por AF-Photography






























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