A Holanda está num limbo. Seis semanas depois das eleições parlamentares, todas as tentativas de formar uma nova coalizão de governo fracassaram. O ex-primeiro ministro e ex-chefe do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Ruud Lubbers, foi apontado agora pela rainha Beatrix como o próximo informador – pessoa responsável por coordenar as negociações entre os partidos para a formação de uma coalizão.
Ele certamente precisará de suas habilidades diplomáticas, uma vez que o resultado das eleições de 9 de junho mostrou o eleitorado tão dividido que a formação de um novo gabinete de governo tem sido bem mais difícil do que de costume.
Neste meio tempo, o país está em compasso de espera, com pelo menos 300 projetos e questões pendentes no parlamento.
Dez das principais decisões em aguardo:
1. Cortes no orçamento do governo – um corte de bilhões de euros é necessário para equilibrar as contas, na esteira da crise econômica e diante de uma população que está envelhecendo. Os partidos que tentam forjar uma coalizão têm se debatido principalmente sobre esta questão. Os liberais de centro-direita querem cortes de 18 bilhões, enquanto os outros partidos são menos drásticos e propõem cortes em torno de 12 bilhões de euros nos próximos 5 anos. Todos concordam que os cortes são necessários, mas nada irá acontecer até que um novo governo esteja definido.
2. Aumento da idade para aposentadoria – plano para que as pessoas trabalhem até os 67 anos, destinado a combater os custos crescentes do envelhecimento da população.
3. Compra de um segundo avião de teste como parte do projeto do Joint Striker Fighter – o avião deverá substituir os atuais F-16 militares.
4. Imposto sobre quilômetro rodado – projeto para que os motoristas paguem por quilômetro percorrido, fórmula bastante controversa para resolver os problemas de engarrafamento nas estradas holandesas.
5. Limitação de indenizações em casos de demissão – atualmente bastante generosas na Holanda.
6. Mudança das regras de redução de impostos para hipoteca da casa própria – a incerteza sobre esta decisão congelou o mercado imobiliário no país.
7. Regras mais rígidas para a supervisão do mercado financeiro – propostas em consequência da crise financeira.
8. Expansão do Aeroporto Internacional de Amsterdã -Schiphol.
9. Grandes mudanças no policiamento - planos de ter uma força nacional ao invés das atuais polícias regionais.
10. Mudanças na lei que regula o pagamento de asilos para idosos, instituições psiquiátricas e para deficientes. O atual formato, conhecido pelos holandeses como AWBZ, é financeiramente difícil de ser mantido.
A lista completa de tópicos à espera das decisões de um novo governo é enorme, mas inclui também assuntos menos urgentes.
A formação da nova coalizão está tão difícil desta vez porque os votos foram bastante divididos e são precisos três partidos ou mais para formar uma maioria no parlamento, que tem 150 cadeiras.
O partido liberal de centro-direita VVD foi o vencedor das eleições com 31 cadeiras, apenas uma a mais que o partido trabalhista PvdA, mas em terceiro lugar ficou o partido de extrema direita PVV, com 24 cadeiras. Liderado pelo político Geert Wilders, o PVV tem posições radicais sobre o Islã, o que tem tornado difícil que outros partidos consigam se unir a ele numa coalizão.






























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