A seleção Oranje, que em 2010 eliminou a seleção Canarinho nas quartas de final da Copa da África do Sul, está no Brasil esta semana para um amistoso neste sábado, no Estádio Serra Dourada, em Goiânia. Mas não é só nos campos dos grandes estádios que os dois países se encontram. A equação Holanda, Brasil e futebol também vem ganhando destaque no campo social.
Mariângela Guimarães e Theo Tamis
No ano passado, a Fundação Johan Cruyff inaugurou, em conjunto com a Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação da Cidade de São Paulo, uma Cruyff Court no bairro Ermelino Matarazzo - um bem equipado campinho de futebol que tem como principal objetivo oferecer a crianças e jovens da comunidade um local seguro para praticar o esporte.
E no Rio de Janeiro, é a Caramundo, uma fundação holandesa que desenvolve vários projetos sociais no Brasil, que vem marcando importantes gols com os treinos e campeonatos que ajuda a organizar na favela do Sampaio.
“O Campo de futebol de Sampaio já existia. Quando eu cheguei lá em 2006, os moradores dos morros ao redor do campo – morro do Quieto, Matriz e São João -, me pediram para ajudar a organizar o campeonato de futebol da favela do Sampaio, porque já tinha gente jogando e treinando, mas era mais uma brincadeira, e a gente ajudou a organizar melhor o campeonato”, conta Anouk Piket, fundadora e diretora da Fundação Caramundo.
O campinho que já existia estava abandonado e a fundação deu apoio a jovens lideranças do bairro para conseguir as melhorias necessárias e organizar o campeonato, que hoje é a maior competição de futebol em favelas do Rio de Janeiro. A competição também teve um impacto positivo na comunidade por aproximar times de favelas rivais, promovendo um tipo de contato que antes não existia.
Todos os dias há treinos e aulas de futebol para crianças (meninos e meninas) e adultos, coordenados por jogadores locais. O campinho transformou-se num ponto de encontro da comunidade e é frequentado por mais de 500 pessoas todos os finais de semana.
“Claro que os brasileiros sabem jogar futebol, mas com o futebol eles aprendem também a persistir, ter disciplina, treinar com muita dedicação. É isso que o futebol estimula em jovens. E nós apoiamos o futebol como meio de aprender isso na vida em geral”, comenta Anouk.
“O futebol e qualquer outra atividade cultural ou social num bairro, numa favela ou num grupo de favelas, sempre é positivo, porque nestas áreas não tem nada. Só tem baile funk, que é uma outra atividade que atrai muito o crime. Mas eu vejo o projeto como uma gotinha de óleo na água, porque a gente simplesmente está tentando influenciar de uma maneira positiva uma geração nova de jovens que cresce neste mundo de crime, violência e guerra entre polícia e facções, pra mostrar que tem outras opções, mas que está na mão deles lutar pra isso.”
































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