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Haiti: trabalho conjunto para evitar o tráfico de crianças
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Hilversum, Holanda
Hilversum, Holanda

Haiti: trabalho conjunto para evitar o tráfico de crianças

Data de publicação : 4 Fevereiro 2010 - 7:28pm | Por Beatriz Díez Hernando (www.parceria.nl)
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Quase um mês após o terremoto que devastou o Haiti, no dia 12 de janeiro, milhares de crianças correm risco de serem expatriadas por traficantes de seres humanos. As organizações internacionais humanitárias estão realizando um trabalho conjunto para evitar que isto aconteça.

Caso alarmante
O caso mais alarmante divulgado recentemente foi o da prisão de dez norte-americanos, que aguardam para saber se vão ou não serem julgados por tráfico de crianças. O grupo de cinco homens e cinco mulheres foi detido na sexta-feira passada (dia 29 de janeiro) na fronteira entre o Haiti e a República Dominicana. Eles são acusados de tentar sair do país alvo do terremoto com 33 crianças sem permissão oficial ou os documentos necessários.

Os dez norte-americanos são membros da organização New Life Children’s Refuge (em português, Refúgio de Crianças para uma Nova Vida), com sede no estado de Idaho, nos Estados Unidos. O grupo, que justificou a ação como um ato de boa intenção, será transferido para a capital Porto Príncipe, onde será decidido se eles devem ou não serem julgados por tráfico de crianças.

Fortil Mazar, procurador do Tribunal de Porto Príncipe, disse que o grupo pode ser processado por seqüestro, tráfico de crianças e conspiração criminosa.

Independentemente do resultado desta investigação, o tráfico de crianças é motivo de preocupação para organizações como UNICEF, a Cruz Vermelha Internacional e a Save The Children. Devido ao grande número de vítimas provocadas pelo terremoto – estimativas dão conta de que até 200 mil pessoas podem ter morrido – ainda é desconhecido o número de crianças que tornaram-se órfãs.

Françoise Vanni, chefe de comunicação da UNICEF no México, viajou até o Haiti para avaliar as condições do país três semanas após o terremoto. Vanni disse à RNW que o tráfico de crianças no Haiti e outros países já era uma realidade antes desta catástrofe. Agora uma das missões de organizações como a UNICEF é dar apoio à Brigada de Proteção à Criança, uma divisão especial da polícia haitiana. Eles fazem vistorias em aeroportos e na fronteira para evitar a transferência de crianças cuja situação familiar é desconhecida.

Vanni explica que foi lançada uma campanha nacional de conscientização para alertar a população sobre o problema. Além disso foi disponibilizado um número telefônico de emergência para qual as pessoas podem ligar caso encontrem crianças abandonadas. A campanha também orienta a população a não permitir que crianças se dirigiam a hospitais ou centros médicos desacompanhadas. “Vá sempre com elas”, diz a campanha. “A própria população é quem está cuidando para proteger as crianças contra este tipo de crime”, diz o representante da UNICEF.

Adoção no exterior
Dias após o terremoto, surgiram pedidos vindos de diversos países para a adoção de crianças órfãs por causa da tragédia. Desde então houve a necessidade de se estabelecer um sistema rigoroso de controle, tema de extrema importância para a UNICEF.

A adoção no exterior é uma opção para crianças órfãs. Mas Vanni destaca que não é possível afirmar com segurança se crianças que estão atualmente separadas de seus pais sejam realmente órfãs. "Há muitas crianças que perderam o pai ou mãe, mas nada indica que elas são órfãs. Mesmo se fossem, pode haver um tio, tia, prima ou primo que está cuidando delas", explica Françoise Vanni. Para a UNICEF é necessário fazer de tudo possível para que as crianças reúnam-se com suas famílias. "O interesse primordial da criança é estar com seus parentes", diz Vanni.

A UNICEF, a Cruz Vermelha Internacional e o Instituto de Bem-estar do Haiti uniram esforços para iniciar o que eles chamam de ‘rastreamento familiar’, um processo para localizar os familiares de crianças desacompanhadas.

AECID
A Agência Espanhola de Cooperação para o Desenvolvimento (AECID) criou um projeto que pode acelerar o sistema de rastreamento familiar. O programa de identificação genética, chamado DNA-Prokids e desenvolvido pela Universidade de Granada e pelo Governo Regional da Andaluzia, está recolhendo amostras biológicas (gotas de saliva e sangue) de todos os menores de 18 anos que desconhecem o paradeiro de suas famílias. Todos os pais e mães que relatam o desaparecimento dos seus filhos também estão tendo amostras recolhidas. Com este material será feito um de banco de dados que será colocado à disposição das autoridades haitianas.

Françoise Vanni admite que ainda não tem detalhes sobre a iniciativa espanhola, mas ressaltou que todas as organizações devem trabalhar juntas e estabelecer um centro onde a Cruz Vermelha e outros órgão internacional possam trabalhar com o banco de dados. O processo deve ser muito preciso e delicado, e exige coordenação, conclui Vanni.

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Debate

Jefferson Santos 13 Fevereiro 2010 - 1:39am / Brasil

Quando visitei o Haiti, em palestra do Chefe da MINUSTAH, fiquei impressionado com as palavras de abertura, ao mostrar uma fotografia de uma criança de pouco mais de três anos brincando no lixo ele exclamou: O mundo tem que se esforçar para que os netos dessa criança tenha um futuro decente.
O Haiti é um problema mundial na busca de seu desenvolvimento sustentável.
Jefferson Santos
http://jeffersonws.blogspot.com/

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