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Google continua ativo na China
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Pequim, China
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Google continua ativo na China

Data de publicação : 23 Março 2010 - 5:33pm | Por Sigrid Deters (RNW)
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O efeito da decisão do Google, o gigante da internet, de não mais oferecer procuras censuradas na China ainda não está claro. Mas o pior dos cenários ainda não está por acontecer, segundo uma investigação do departamento chinês da Radio Nederland Wereldomroep.

Sigrid Deters & Perro de Jong

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Com quase 400 milhões de usuários, a China tem o maior mercado para buscadores no mundo. O Google conquistou cerca de 20% deste total depois que aceitou trabalhar dentro das regras de censura do governo chinês, ficando muito atrás de seu concorrente local, o buscador Baidu, mas mesmo assim com uma porcentagem respeitável.

O site chinês da Radio Nederland recebia grande parte de seus visitantes por meio do Google. Eles procuravam especialmente por temas como 'homo' e 'direitos humanos'.

"Eu achei que se o Google parasse de oferecer conteúdo censurado, isso significaria que os leitores não nos encontrariam mais nas buscas pelo Google se estivessem localizados na China, o que significa que perderíamos 15% de nosso movimento. Mas na verdade estamos tendo mais visitações do que nunca", diz Bo Xiao, do departamento chinês da RNW.

Tibete
O número de visitantes que chega ao site chinês da RNW via Google, ao contrário, aumentou em 80%, e em lugar do termo 'homo', hoje o termo mais procurado é o politicamente arriscado 'Tibete'. Desta forma, os usuários, aparentemente, estão testando se o Google ainda está funcionando e sem censura. E pelo jeito, sim.

O buscador censurado www.google.cn foi realmente fechado, mas os usuários chineses agora são direcionados para o endereço www.google.com.hk, na antiga colônia britânica Hong Kong, onde o acesso à internet é mais livre. Também é possível acessar o www.google.com , em língua inglesa. A maioria dos visitantes chineses chega ao site da RNW por esta via.

Firewall
A diferença é que o próprio Google filtrava os resultados considerados indesejados pelas autoridades chinesas no endereço www.google.cn . Nos outros buscadores Google pode-se ver os resultados da busca, mas quando se está na China, o acesso é implacavelmente bloqueado. Para isso as autoridades utilizam um sólido 'firewall'.

Na verdade, tudo fica como antes. A questão agora é saber se irá permanecer a maneira relativamente sutil de censura ou se as autoridades chinesas irão bloquear o Google totalmente, como fizeram anteriormente com os sites de relacionamento social Facebook e Twitter.

Björn van der Veen trabalha para a empresa Tribal China, que dá suporte a empresas de internet estrangeiras na China. Ele acha que a situação não vai mudar tão rapidamente. "Eles não têm nenhum interesse em irritar ainda mais o Google, pois a empresa tem um departamento de pesquisa na China e o governo chinês ganha muito dinheiro com isso."

Uma diferença com os bloqueados Twitter e Facebook é que nestes o problema está na forma de utilização, que permite a rápida troca de informações entre usuários. Já a via de mão única de um buscador é relativamente fácil de frear.

Gigante da internet
Mas imagine que a briga entre a China e o Google continue, e que os buscadores do gigante da internet também sejam bloqueados. Aí as consequências serão realmente sérias, alerta Bo Xiao, da RNW.

Embora o Google não tenha uma parte tão grande do mercado chinês, muitas das pessoas que preferem usar o Google ao Baidu são, segundo pesquisas da organização chinesa CNNIC, profissionais com formação superior ou com contatos internacionais, como, por exemplo, cientistas. Justamente estes usuários ativos da internet são os que mais sofrerão.

Por isso o recente alerta de um biólogo chinês no jornal norte-americano The Washington Post: sem o Google haverá, segundo ele, "apenas escuridão".

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