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Hilversum, Holanda
Hilversum, Holanda

Futuro de Nova Orleans continua bonito... e nos planos

Data de publicação : 14 Abril 2010 - 11:30am | Por Willemien Groot (Ilustração: Waggonner & Ball)
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Cinco anos após o furacão Katrina, grande parte de Nova Orleans continua em escombros. Um enorme desafio para engenheiros, urbanistas e arquitetos. A população pobre cansou de esperar e deixou a cidade.

Piet Dircke, do escritório de engenharia holandês Arcadis, viu Nova Orleans mudar. As partes ricas da cidade e as atrações turísticas estão recuperadas. Em 2011, as construções hidráulicas, inclusive cinco diques, estarão terminadas. A cidade deve estar protegida contra possíveis inundações.

“Os Estados Unidos conseguiram completar essa obra em tempo recorde. Na Holanda foram necessárias décadas para executar esse trabalho. No entanto, os bairros pobres continuam tão desolados como logo após a catástrofe. Os moradores partiram definitivamente.”

Campo de provas
Esses bairros também merecem uma chance. As possibilidades estão sendo pesquisadas em uma área de testes, na zona leste da cidade. O local possui cerca de dez quilômetros quadrados, fica a três metros abaixo do nível do mar e foi gravemente atingido pelo Katrina. É um bairro residencial para a classe média baixa, cercado por dois canais, flanqueados por um ‘bayou’: uma espécie de arroio muito comum na região de Louisiana.

Dircke: “A presença natural da água deve inspirar os edifícios da cidade. Ao mesmo tempo, podemos mostrar que é possível conviver com a água de maneira segura.”

Mercado
Mas quem vai pagar? O arquiteto David Waggonner, de Nova Orleans, também não sabe. “A palavra-chave do ex-presidente George W. Bush era ‘mercado’, mas por experiência própria sei que o mundo empresarial não pode solucionar esse problema. O governo precisa estar envolvido, de uma maneira ou de outra.”

Apesar disso, Waggonner constata que há moradores de Nova Orleans que começaram a reconstruir a cidade com a ajuda de especialistas holandeses, que oferecem conhecimento e experiência.

O que não quer dizer que a parte pobre e negra da população voltou para a cidade. O lugar onde cerca de 250 mil pessoas viviam vem sendo tomado pelos latinos.

Para esses trabalhadores, a maioria pouco escolarizada, há muito trabalho. Mas se o trabalho acabar eles vão embora novamente. “Desaparece a imagem antiga de Nova Orleans, aquela em que até quatro gerações chegavam a morar na mesma rua. Nova Orleans torna-se uma cidade como as demais cidades dos Estados Unidos,” afirma Dircke.

O arquiteto Waggoner acredita que as pessoas devem voltar para Nova Orleans, mesmo que isso demore algumas gerações. “Uma boa qualidade dos americanos é a esperança. Temos que acreditar que podemos reconstruir Nova Orleans. Estamos no caminho certo, mas a cidade ainda não tem nada para oferecer”, afirma ele, com um sorriso no rosto.

Piet Dircke também continua otimista. Ele acredita na química da relação entre norte-americanos e holandeses, mesmo com uma dura realidade financeira.

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