Em toda a Europa, a opinião pública vem se mostrando favorável à energia atômica como alternativa às atuais fontes de energia. Mas a Espanha escolhe um outro caminho. O primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, quer fechar todas instalações nucleares do país. Para começar, a primeira seria a de Garoña, a mais antiga da Espanha, com seus 40 anos de funcionamento.
Rop Zoutberg
Ainda nesta semana o governo espanhol irá decidir por quanto tempo ela ainda ficará aberta, apesar de anteriormente ter sido estipulada para funcionar com segurança até 2011.
Segundo uma comissão de avaliação, a usina pode funcionar sem problemas nos próximos dez anos. De acordo com o relatório desta comissão, ela pode funcionar com segurança se algumas medidas extras de manutenção forem adotadas.
A pergunta é se essa recomendação será adotada. No ano passado, numa das promessas durante a campanha eleitoral, o premier Zapatero reafirmou que é a favor do fechamento das centrais atômicas. Grupos ambientalistas pediram que o premier mantivesse sua palavra. Mas a pressão é muito grande.
Segundo o presidente do conselho de Empresa de Garoña, Alberto Gonzalez, a posição de Zapatero é muito estranha. Gonzalez afirma que, tanto na Europa como nos Estados Unidos, a vida útil das usinas atômicas vem sendo prolongada. A energia atômica é, segundo ele, crucial para o futuro. O fechamento também significa que centenas de empregos serão extintos.
Garoña é uma pequena central, em comparação às outras sete centrais que se encontram na Espanha. Elas produzem em torno de 20% do total da energia consumida no país. Outros 20% são produzidos pelo vento, água e painéis solares. O restante é produzido por centrais movidas a gás e petróleo.
Em defesa da energia nuclear
O professor de energia nuclear, Juan José Gómez, defende a procura de novas alternativas energéticas para se chegar a um balanço equitativo. “A Espanha não possui reservas de gás ou petróleo e os combustíveis fósseis no mundo estão se acabando. Portanto, não podemos fechar as portas para alternativas como energia solar, energia eólica e também energia atômica.”
O que está mudando é que a energia atômica não é mais vista como conflitante com projetos de energia eólica ou solar, diz Gómez. “As pessoas também estão percebendo que a energia do sol e do vento não pode cobrir toda a demanda. Este talvez seja o caso a longo prazo. Mas isso será daqui a cem anos.”
Os furiosos protestos pró e contra o fechamento da usina de Garoña devem continuar mesmo depois da decisão do governo. Será uma batalha penosa para o premier Zapatero. Há divergência dentro do seu governo e o ministro da Indústria, Miguel Sebastian, ameaça renunciar caso a usina de Garoña tenha que ser fechada. Ele acha inaceitável que, na atual recessão, mais seiscentos postos de trabalho deixem de existir.
Por outro lado, grupos ambientalistas, como o Greenpeace, exigem de Zapatero ‘respeito democrático’ para os opositores da energia atômica. Eles cobram a palavra de Zapatero e exigem que Garoña seja fechada.
Freiras defendem
Entre os que defendem a central nuclear encontra-se um grupo de freiras do Convento Santa Clara, em Medina de Pomar, não muito longe de Garoña. As freiras enclausuradas, freiras que nunca podem sair do convento, lavam todas as semanas as toalhas dos funcionários da central. Elas temem a perda de sua mais importante fonte de renda se a usina fechar, confirmou umas das freiras. Elas aceitariam “a decisão do Senhor”, mas prefeririam que “a Central de energia atômica continuasse funcionando”, para ajudar não somente a elas, mas a muitas outras famílias que moram na região.























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