O extremismo de direita está crescendo nos Estados Unidos, com um enorme aumento de grupos anti-governamentais e milícias de supremacia branca, desde que Barack Obama tornou-se o primeiro presidente negro do país. Embora as teorias de conspiração movidas por estes grupos possam parecer exagero, de acordo com organizações de fiscalização, muitos deles são armados e perigosos.
O mais prominente grupo de direitos civis dos EUA, o Southern Poverty Law Centre, divulgou recentemente um relatório intitulado ‘Fúria na Direita’, indicando um aumento de mais de 250% em grupos extremistas ‘patriotas’ desde a vitória de Obama em 2008. Chip Berlet, do grupo Political Research Associates, baseado em Massachussetts, pesquisa grupos de extrema direita há 25 anos. Ele estima que, nos primeiros seis meses de governo de Barack Obama, houve nove assassinatos cometidos por pessoas que acreditavam em algum tipo de supremacia branca ou conspirações anti-semitas. E diz que não é apenas a cor da pele de Obama que está alimentando este crescimento extremista:
"Existem muitas teorias de conspiração que afirmam que ele está prestes a impor lei marcial, que ele irá suspender a constituição, que ele vai reunir México, Canadá e Estados Unidos em uma União Norte Americana, nas mesmas bases da União Europeia original. Que ele na verdade está trabalhando em favor de elites secretas, sejam banqueiros judeus ou terroristas muçulmanos. As teorias de conspiração variam, mas logo depois de sua posse, a venda de armas e munição aumentou tanto que algumas lojas estão tendo problemas em manter os estoques.”
Clima apocalíptico
Descontentes com os problemas da economia norte-americana e uma série de iniciativas políticas taxadas de “socialistas”, oponentes de Obama criaram solo fértil para os criadores de teorias de conspiração. Isso também refletiu em uma radicalização da linguagem usada por alguns políticos do setor mais conservador do Partido Republicano. O partido não pode ser descrito como extremista, mas Berlet acredita que contribui para um clima que torna o extremismo mais aceitável.
”Eu acho que contribui. Acredito que cria uma situação na qual as pessoas que estão considerando ações violentas olham para autoridades eleitas, ativistas importantes do Partido Republicano, ativistas conservadores e demagogos da grande mídia conservadora e veem uma permissão para atuar e ‘salvar o país’ antes que seja tarde. Este tipo de ideia apocalíptica de que o perigo está próximo e que qualquer meio necessário se justifica pela ameaça iminente.”
Influência da internet
O relatório do Southern Poverty Law Centre também demonstra que ideias linha-dura estão ganhando terreno na política nacional e na mídia. Uma teoria em circulação em sites ‘patriotas’ acusa a administração Obama de criar campos de concentração para brancos. O apresentador de televisão Glenn Beck, do canal Fox News, um dos principais veículos de direita dos EUA, deu nova vida à teoria antes de finalmente “desmascará-la”.
Mas, uma vez revigoradas, estas teorias continuam circulando persistentemente na blogosfera. A maioria dos extremistas de direita é mais propensa a divulgar suas ideias em fóruns na internet do que em ações violentas, mas o último surto de grupos ‘patriotas’, durante a administração Clinton, nos anos 1990, foi marcado por uma série de incidentes violentos, culminando em 1995 com o bombardeamento de um edifício federal em Oklahoma City, matando 168 pessoas.
Ameaça pessoal e política
Desde que Barack Obama iniciou sua campanha para a Casa Branca, uma série de planos de assassinato foram descobertos, mas assim como o perigo pessoal, a onda de fúria canalizada em teorias de conspiração ameaça sua presidência de outras maneiras, analisa Berlet:
”É impossível chegar a qualquer tipo de resolução civil ou política quando tantos milhões de americanos estão convencidos que Obama não é realmente americano (acreditam que ele é queniano), que estaria trabalhando em segredo para banqueiros judeus e prestes a impor a tirania, juntamente com a ONU. É muito difícil aprovar qualquer coisa no congresso quando tantas pessoas estão convencidas destas teorias de conspiração. Eles estão dispostos a bloquear tudo que ele fizer porque acreditam que está envolvido em alguma atividade sinistra.”
A extensão do apoio a grupos de extrema-direita e milícias ‘patriotas’ deverá ficar mais clara no próximo mês, quando eles planejam uma marcha até Washington. A razão divulgada é defender o direito de portar armas, mas os sentimentos anti-Obama e anti-governo tendem a estar em alta visibilidade.
























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