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Hilversum, Holanda
Hilversum, Holanda

Está fora de moda ter medo de armas nucleares

Data de publicação : 8 Abril 2010 - 2:17pm | Por Johan Huizinga (Foto: Flickr/Kingdafy)
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A Rússia e os Estados Unidos devem reduzir em 30 por cento as suas ogivas nucleares. O presidente Barack Obama e seu colega russo Dmitri Medvedev assinam nessa quinta-feira (8 de abril) a terceira versão do programa Start – o acordo de desarmamento mais ambicioso desde a Segunda Guerra Mundial. Há 20 anos esse seria um passo histórico, mas atualmente, o medo de armas nucleares não está mais na moda.

É uma antiga tradição. No domingo de Páscoa, holandeses pacifistas bloqueiam a base aérea de Volkel em protesto contra a bomba nuclear dos Estados Unidos armazenada no local. A ação ainda é praticada, mas os poucos ativistas que comparecem são, na maioria, velhinhos. Faz tempo que a polícia nem precisa intervir. As ações contra e o medo das armas nucleares são coisa do passado na Holanda.

Mient Jan Faber foi ativista de um grande movimento pacifista. Atualmente ele é catedrático em questões de paz em Amsterdã. Faber vê a participação holandesa em missões de paz como uma extensão do trabalho de cooperação para o desenvolvimento, embora tais missões recebam pouco apoio da população.

“Não nos interessamos aqui na Holanda quando uma guerra fria passa a ser guerra quente, como por exemplo, a do Afeganistão. Vejo isso acontecer com frequência.”

Política de avestruz
A ameaça nuclear não vem mais da Rússia, está distante de casa e por isso não é mais importante. Mas não se justifica uma política de avestruz:

“As pessoas pensam: isso acontece tão longe de nós, porque nós moramos numa Europa segura, numa espécie de museu onde todo mundo pode vir olhar como convivemos de maneira pacífica, maravilhoso. Isso é verdade, até certo ponto. Mas pense: um museu também pode ser bombardeado.”

Preocupações sobre o Paquistão
Faber vê riscos principalmente no Paquistão, um país politicamente instável e, ao mesmo tempo, uma potência nuclear. O país abriga diversos grupos terroristas. Caso eles tenham acesso às armas nucleares poderiam usá-las em qualquer lugar. Não necessariamente no Paquistão ou na Indonésia, mas também em Amsterdã.

Rob de Wijk, do Centro de Estudos Estratégicos em Haia, concorda em termos com a preocupação de que o Paquistão possa propagar armas nucleares. Ninguém sabe ao certo como eles se previnem do uso de tais armas por grupos indesejados.

Estado de armas nucleares
De Wijk nomeia a Coréia do Norte como fator de risco porque o país poderia querer propagar as armas nucleares. Já o poder nuclear iraniano é visto por ele como uma ameaça menor.

“O risco do Irã não é tanto em relação a ter armas nucleares. Se isso acontecer, poderá haver um 'equilíbrio de dissuasão' entre Israel e Irã ou talvez entre os Estados Unidos e o Irã. Mas o trajeto inteiro em direção a um Estado de armas nucleares é muito perigoso. Motivo pelo qual tudo será feito para prevenir que o Irã obtenha de fato armas nucleares."

Um bombardeio preventivo de Israel pode ter consequências de grande alcance e resultar em uma escalada de distúrbios no Oriente Médio. A chance de que a Europa seja atacada por armas nucleares iranianas é minúscula. Nessa situação, é bem maior o risco de que a Europa não possa mais usar os dutos de petróleo do Oriente Médio.

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