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Imagens do projeto 'Desertec'.
Retrato de Thijs Westerbeek
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Munique, Alemanha
Munique, Alemanha

Energia do Saara para a África e Europa

Data de publicação : 26 Novembro 2009 - 3:43pm | Por Thijs Westerbeek van Eerten (RNW)
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Centenas de milhares de espelhos serão colocados no próximo ano no Saara. Eles irão transformar a abundância de sol do deserto em eletricidade limpa. O holandês Paul van Son, um dos líderes do projeto ‘Desertec’, prepara-se para a gigantesca operação.

O tamanho do projeto Desertec é sem precedentes: irá durar quatro décadas, ocupará mais de dois mil quilômetros quadrados de superfície do deserto - que serão cobertos com espelhos solares -, e por volta de 2050 todos os países ao redor do Saara deverão ter eletricidade limpa e barata.

E ainda mais ambicioso: até lá a energia do Saara também deverá cobrir 15% do consumo europeu. Isso significa que as redes de alta tensão no Norte da África também serão reforçadas e uma ligação ultrapoderosa será construída por baixo do Mar Mediterrâneo até o continente europeu.

Um projeto tão grandioso requer um investimento maciço, como conta Paul van Son: ”Segundo uma estimativa do Instituto Alemão de Aeronáutica, irá custar uns 400 bilhões de euros ao longo de 40 anos. Mas isso é comparável com os custos que se teria criando energia de outras maneiras, como com os meios convencionais, por exemplo...”

Nome conhecido

O holandês Van Son é completamente desconhecido do grande público, mas no mundo da ‘energia limpa’ ele é bem conhecido. Formado pela TU Delft, o engenheiro eletrotécnico já trabalhou em uma série de empresas e organizações da área de produção e distribuição de energia em todo o mundo. Nos últimos seis anos, ele é o diretor administrativo do braço alemão da gigante do setor de energia Essent. Há algumas semanas, Paul van Son é também CEO do projeto Desertec, que é sediado em Munique.

Nos próximos três anos, Van Son deverá apresentar um bem fundamentado plano de investimento para o projeto. O objetivo é que os investidores possam calcular seus retornos, pois, claramente, as dezenas de grandes empresas europeias que participam do projeto – entre elas Siemens, DWE e Deutsche Bank – não o fazem pelo amor ao meio ambiente.

”Acredito que estas empresas compreendem que o futuro está na energia sustentável, e também na transição para a energia limpa. Naturalmente, estas empresas também veem aí o seu próprio futuro.”

Tecnologia simples
A tecnologia do Desertec é testada e aprovada. Não é portanto um experimento. Haverá turbinas eólicas e painéis solares, mas a maior parte da produção virá da energia solar térmica. Centenas de milhares de espelhos concentrarão a luz solar em um único ponto: uma enorme caldeira. O vapor criado ali aciona uma turbina que gera energia. É um conceito simples e de fácil manutenção.

Mais difícil será conseguir que todos os países saarianos se alinhem. Líbia e Argélia ganham muito dinheiro com a produção de petróleo e não estão à espera da ‘concorrência’ da energia limpa. Por outro lado, Tunísia, Marrocos e Egito veem o projeto como uma boa oportunidade, também pelos milhares de empregos que deverá criar.

Paul van Son viaja constantemente entre um país e outro e faz o papel de mediador: “Um dos mais importantes desafios é mostrar à população local, e à política local também, o que é possível fazer ali. Também temos que deixar claro quais são as vantagens que o projeto oferece para seus países. Isso é um trabalho enorme, pois é uma região muito grande e as pessoas ali ainda têm pouca experiência com a produção de eletricidade em tão grande escala.”

Mas Paul van Son tem certeza de que o projeto dará certo: “É a primeira vez que a grande indústria assume um compromisso desta escala com um projeto de energia sustentável. Por isso, vai dar certo. As empresas veem o lucro.”

Segundo Van Son, em dez anos a energia do Saara já estará chegando às tomadas europeias.

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