Líderes das quatro maiores economias emergentes - Brasil, Rússia, Índia e China, (Bric) reuniram-se nessa semana em Ecaterinburgo, território russo, para a primeira reunião de cúpula. O encontro representou uma rejeição simbólica à hegemonia estadunidense na economia mundial. Os dirigentes reunidos decidiram atuar de forma coordenada na reforma do sistema financeiro e exigir maior poder de decisão política para os países em desenvolvimento nas instituições financeiras internacionais e na Organização das Nações Unidas (ONU).
O termo Bric foi dado em 2001 por um analista no banco de investimento Goldman, que previu que esses quatro países iriam alcançar os países do antigo G7 dentro de cinquenta anos. Rory MacFarquhar, executivo da Goldman Sachs em Moscou, diz que as últimas projeções indicam que isso pode ocorrer antes de 2030.
À primeira vista, os países que compõem o Bric não formam uma coalizão, pois são distantes geograficamente e mantêm pouco contato direto. Mas estes países se assemelham por terem populações numerosas e pelo potencial econômico.
Segundo Rory MacFarguhar, esses países também têm em comum o fato de serem excluídos dos clubes de decisão política da elite. "A China é um grande centro manufatureiro, a Índia cresce cada vez mais na área da agricultura e no setor de serviços, a Rússia é fornecedora de matéria-prima e o Brasil detém uma economia mista. Apesar das diferenças, esses países têm em comum a grande extensão e, por serem países emergentes, têm pouca representação em instituições como o FMI.”
Analistas avaliaram que a cúpula dos Brics era um espetáculo de demonstração de forças por parte dessas nações, buscando superar a ordem global dependente do Estados Unidos.
Moeda
Na pauta do encontro de cúpula dos Brics estava o sistema monetário global, de interesse da não convidada União Europeia e das autoridades financeiras dos Estados Unidos. Ao final da cúpula, dirigentes da Rússia e da China – que detêm a maior e a terceira maior reserva monetária, respectivamente – apelaram a uma moeda de câmbio alternativa ao dólar. No entanto, a declaração final na cúpula dos Brics não se referiu ao dólar, apesar de se pronunciar favorável a um sistema monetário diversificado, estável e mais previsível.
Segundo Rory, os políticos estão preocupados sobre países espelhados na política econômica dos Estados Unidos, que subestimam a força do dólar e seu papel como garantia de valor internacional. Esses países preocupam-se com ameaças ao valor de suas reservas monetárias, e querem promover suas próprias moedas no futuro.
A reunião dos Brics foi estratégica para reforçar a posição dos quatro países, na próxima reunião do G-20. A cúpula do grupo dos vinte países mais industrializados do planeta está marcada para setembro, nos Estados Unidos. Antes dela, ocorrerá o encontro de representantes do G-8 (os sete países mais ricos e a Rússia) em julho, na Itália, que também será palco para a defesa da posição dos Brics.
























Submeter um novo comentário