Os holandeses vão às urnas amanhã para eleger as novas assembléias provinciais, mas menos da metade dos eleitores deve votar. Nada de estranho, já que a maioria dos holandeses parece ou não saber ou não se importar com os governos das províncias. Mas desta vez é diferente, uma vez que o futuro da atual coalizão de governo pode estar em jogo.
Como as eleições regionais podem afetar o governo nacional? A resposta está na primeira câmara do parlamento holandês, o senado. Os representantes serão escolhidos com base nos resultados da eleição desta quarta-feira.
Normalmente em segundo plano no sistema político holandês, este é um daqueles raros momentos em que a primeira câmara terá importância. Sua eventual composição poderá significar o fim do governo de coalizão liderado por Mark Rutte.
Holandeses estão divididos
A Holanda está atravessando um período político volátil. O país está dividido ao meio entre partidos de esquerda e de direita. Geert Wilders, do partido populista PVV (Partido da Liberdade), contribui muito para esta divisão.
O líder liberal Mark Rutte só conseguiu chegar a sua atual coalizão depois de meses de negociações. Mesmo assim, não conseguiu formar um governo com maioria na segunda câmara do parlamento. Só pôde governar graças ao apoio parlamentar do controverso partido anti-islã de Geert Wilders. E mesmo com este apoio, a coalizão de Rutte tem maioria mínima de apenas um voto.
Na primeira câmara, é ainda pior. Ali os partidos do governo não têm maioria, por isso precisam de uma vitória nas eleições desta quarta-feira.
“Condições belgas”
Se falharem, não significa necessariamente que o governo cairá. A maioria na primeira câmara não é estritamente necessária para que uma coalizão sobreviva (ter maioria na segunda câmara é mais importante). No entanto, não ter a maioria no senado significaria que muitos dos planos do governo seriam atrasados ou ficariam completamente parados.
O primeiro-ministro Mark Rutte está claramente preocupado com esta perspectiva. Na semana passada, ele disse que não conquistar a maioria na primeira câmara levaria a “condições belgas”, referindo-se ao impasse político na vizinha Bélgica, que continua sem governo oito meses após as eleições.
Política de gatinhos
Geert Wilders concorda. Seu partido participa pela primeira vez das eleições provinciais e ao que parece pode conseguir mais uma grande vitória. O próprio Wilders tem feito campanha diariamente, por vezes mostrando-se mais “suave” do que de costume. Uma foto de Geert Wilders sorridente segurando um gatinho pode se tornar a imagem icônica desta campanha.
A imagem “fofa” contrasta com as agressivas advertências de Wilders contra os perigos do islã e a importância dos partidos de coalizão ganharem maioria no senado.
Mas enquanto a estrela do Partido da Liberdade sobe (terá pela primeira vez representantes na primeira câmara), um membro da coalizão de governo está rumando para uma derrota histórica. Os cristãos-democratas estão sofrendo nas pesquisas, em grande parte devido a divisões internas no partido causadas pela colaboração com Wilders. O CDA está tentando limitar suas perdas, mas qualquer coisa abaixo da metade de sua atual representação seria uma derrota moral para a coalizão.
Futuro incerto
Os partidos da coalizão de governo podem conseguir uma vitória por um triz amanhã. Caso não consigam e os partidos de esquerda mantenham a maioria na primeira câmara, não se sabe o que acontecerá em seguida. A coalizão pode decidir continuar persistindo, tentando ganhar maioria no senado lei a lei, ou Mark Rutte pode jogar a toalha e convocar novas eleições gerais pela segunda vez em 18 meses.






























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