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Delft, Holanda
Delft, Holanda

É possível uma proteção contra tsunamis?

Data de publicação : 23 Março 2011 - 5:17pm | Por Thijs Westerbeek van Eerten (Gráfico: Swash)
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Mesmo o sistema de alerta desenvolvido pela Universidade Técnica de Delft não poderia fazer nada contra a onda de 14 metros que engolfou as centrais atômicas de Fukushima. A central japonesa estava preparada para ondas de até 7 metros.

Apesar disso, o Swash (Simulating Waves till Shore) pode ser um sistema de alerta eficiente. O Swash, sistema desenvolvido pela TU Delft, pode calcular rapidamente a que altura uma onda chegará, com que rapidez ela se move e quanta energia tem.

Sem chance de alerta
“No caso do Japão, um sistema de alerta baseado no Swash não teria feito diferença”, admite o engenheiro Marcel Zijlema, líder do projeto Swash. “O maremoto ocorreu muito perto da costa – 130 quilômetros – e a onda se movia a 800 quilômetros por hora. Num caso assim, não há como alertar. Mas quando a distância é suficiente ele pode realmente salvar vidas.”

Todos os tipos de ondas podem ser simulados pelo Swash, portanto, também tsunamis, e em qualquer lugar do mundo. Marcel Zijlema explica como um sistema de alerta para tsunamis pode ser feito a partir de seu modelo de cálculo: “Assim que aconteça da altura ou duração de uma onda estar acima do normal, por exemplo, o sistema dá um alerta… Ele então indica de onde a onda vem e quanto tempo levará para que atinja uma área crítica.”

Proteção
Com isso o Swash não apenas é uma ferramenta útil em situação de grande emergência, mas também pode ser usado para uma proteção eficaz contra tsunamis.

No sistema, dados sísmicos – como a possibilidade de terremotos – são combinados com dados sobre profundidade da água, relevo do fundo do mar e comportamento das ondas. O resultado indica com precisão a altura ideal para represas e diques.

Se os diques tiverem que ser muito altos e caros, pode ser melhor construir edificações sobre pilares. Funções menos importantes, como depósitos e estacionamentos, podem ser concentradas nas partes baixas. Além disso, é uma boa ideia construir os muros de maneira que possam ser facilmente derrubados pelas ondas. A partir do primeiro andar, a edificação permanece segura sobre pilares fortes.

Domínio público

Assim como o Swan, o Swash é de domínio público, portanto, oferecido gratuitamente. Qualquer interessado pode baixar o programa pelo endereço http://swash.sourceforge.net

O Swash ainda está em fase de ajustes finais, mas justamente através de dados vindos da experiência dos usuários o programa estará em breve definitivamente pronto.
 


O Swash na verdade é a versão aperfeiçoada de um sistema anterior criado na TU Delft para a simulação de ondas, o Swan (Simulating Waves Near Shore). O Swan calculava a altura e velocidade das ondas geradas pelo vento e também pode analisar ondas formadas em pontos distantes por uma tempestade.

O Swan existe desde 1993. É um modelo de cálculo importante, usado por mil institutos de pesquisa, guardas costeiras e construtores de diques em todo o mundo. É tão popular porque um computador comum é suficiente para rodá-lo e o programa é gratuito (domínio público).

Região perigosa do mar

Mas houve necessidade de aperfeiçoamento. O velho Swan descreve as ondas como um campo, uma área de mar onde uma série de ondas em média têm tal e tal altura, tal e tal força. Dá uma visão geral de quão perigosa é uma determinada região do mar num determinado momento.

Já o Swash pode dar as características de ondas individuais e prever seu comportamento. Marcel Zijlema explica como isso funciona: “Você pode ver a passagem de cada onda em seu computador e podemos calcular e descrever as ondas nesta escala. Esta é uma diferença importante. Assim podemos descrever muito melhor as ondas que chegam até a costa, o que com o Swan não conseguimos fazer tão bem.”

Aquela onda
Isso torna o Swash relevante pois há sempre ‘aquela onda’ que derruba o dique, arrasta casas ou desestabiliza a plataforma de petróleo. É possível, portanto, calcular quão alta e forte a defesa costeira tem que ser para proteção contra as ondas mais extremas, as mais fortes, e as exceções que acontecem uma vez em dez mil anos.

Mas até que ponto um modelo virtual é realmente confiável? Afinal, trata-se de proteger vidas humanas. Por sorte, a confiabilidade do sistema também pode ser testada através de milhares de medições feitas em todo o mundo com ondas reais. E isso Marcel Zijlema e seu time fizeram. O resultado traz um sorriso ao rosto do pesquisador: “A correspondência entre real e virtual é de quase 1 por 1.”

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