Pessoas que são viciadas em drogas por muito tempo podem se beneficiar da distribuição gratuita de heroína na Holanda. Dez anos depois que esse projeto extremamente controverso começou em Utrecht quase não se ouvem mais protestos. Os transtornos caíram fortemente e a sociedade liberou-se de todos os custos trazidos por dependentes químicos doentes e criminosos.
Tanto viciados como assistentes sociais são sumamente positivo. Os pacientes não precisam mais roubar para poder ter acesso às suas doses diárias. Alguns deles conseguiram inclusive encontrar trabalho.
O sucesso da distribuição gratuita também convenceu os políticos holandeses. Desde 2006 a heroína está registrada como medicina. No ano passado, a câmara dos deputados aprovou uma lei que aprova a distribuição da heroína sob acompanhamento médico como um tratamento regular na chamada ‘terapia resistente’ para dependentes químicos.
Os transtornos causados por viciados em heroína em Utrecht e em outras grandes cidades quase desapareceram. Também são raros os casos de novos dependentes.
Casa de repouso
A Holanda possui 17 clínicas onde os dependentes químicos podem utilizar heroína gratuitamente. Em Roterdã há inclusive uma casa de repouso para idosos que é especializada em velhinhos viciados. Ainda que no início o local tenha sido vítima de fortes protestos, também não se ouve mais críticas da vizinhança.
A distribuição gratuita de heroína na clínica em Utrecht é muito bem coordenada e os clientes são observados durante o uso da droga através de câmeras e espelhos. Tinka Hille é coordenadora da clínica: “A intenção não é que eles contrabandeiem a droga”. Três vezes por dia, os pacientes recebem exatamente a mesma quantia medida e registrada para fumarem no local.
Heroína de laboratório
A heroína é pura e produzida de maneira química pela indústria farmacêutica. Dessa maneira, os assistentes sociais podem garantir que não há substâncias tóxicas desconhecidas, o que com heroína natural pode acontecer. A potência da droga também é precisamente dosada; importante porque essa variante química é muito mais forte do que o produto ilegal.
O perigo de que os viciados participem do programa simplesmente para receber heroína gratuita de maneira vitalícia quase não acontece. “Como viciado, é necessário estar totalmente na pior para poder participar do programa. Também é preciso ter tentado se desintoxicar várias vezes. E nessa situação, nem mesmo os dependentes químicos querem estar.”
Há perguntas sobre os custos da distribuição da heroína. Há mais benefícios do que prejuízos?
“A distribuição gratuita da heroína custa 17 mil euros por cliente por ano”, diz Tinka Hille. “Parece muito, mas a economia com as internações hospitalares, prisões, custos jurídicos e danos por criminalidade é muito mais alto”. O resultado é uma economia de quase 13 mil euros por paciente tratado por ano.
Uma comissão que pesquisou esse tratamento de viciados em heroína também conclui que o tratamento também é efetivo no que diz respeito aos custos.
Tranqüilidade
Dos dependentes químicos que participam do projeto em Utrecht desde o início, nenhum teve mais problemas com a justiça. Simplesmente pelo fato de que todos os dias podem utilizar a heroína em um horário estabelecido, o que traz tranqüilidade. Eles não precisam mais roubar e podem até mesmo pensar no que querem fazer de suas vidas. No passado eles estavam o dia inteiro preocupado em adquirir mais droga.
Três dos clientes de Tinka Hille agora trabalham. “Betty” é uma deles. Ela não quer ser entrevistada por dizer ter medo. Ela trabalha como faxineira na mesma clínica onde ela usa heroína diariamente. Durante a conversa com Tinka Hille ela está limpando o chão. Depois ela tem um tempinho para uma conversa e um cigarro junto com o porteiro.
“Veja”, diz Hille, “É isso o importante. Para o viciado e seu entorno; tranqüilidade”.






























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