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Segunda-feira 20 Maio  
A menina Yasmín Elsayed e seus pais ao lado do ministro Joaquín Lavín.
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Santiago, Chile
Santiago, Chile

Discussão sobre véu islâmico chega à América Latina

Data de publicação : 15 Novembro 2010 - 3:45pm | Por Heleen Sittig (Foto: PressTV)
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Pela primeira vez a América Latina vê surgir uma polêmica em torno do véu islâmico. Os personagens centrais são uma menina de nove anos e o ministro da Educação do Chile, que defende o direito da pequena estudante usar seu véu na escola.

Mulheres com os cabelos cobertos por véus não são raras na América Latina. Em geral, são freiras católicas, mas muitos muçulmanos vivem no continente. Só no Brasil, são cerca de 1,5 milhão; na Argentina, 700 mil. Entre eles, muitos convertidos.

No Chile, onde dados oficiais indicam não mais que 3 mil residentes muçulmanos, a polêmica surgiu com a pequena Yasmín Elsayed. De um dia para o outro, ela apareceu na escola, na capital Santiago, usando o véu islâmico. A escola quis proibi-la, com o argumento de que o véu não faz parte do uniforme obrigatório.

Os pais de Yasmín envolveram o Centro de Cultura Islâmica (CCI) no caso. Fuad Musa, presidente do CCI, conseguiu explicar à escola o significado do véu islâmico para uma jovem muçulmana:

“Não é como quando uma menina ou um jovem põe um piercing ou corta o cabelo desta ou daquela forma, põe um aro no nariz, etc. Isto corresponde a um modelo muito mais transcendental que é a roupa religiosa da mulher muçulmana, que segue o modelo da Virgem Maria e de Fátima, a filha do Profeta.”

Em parte graças a esta explicação, a escola respeitou a escolha de Yasmín. Também ajudou o fato de o ministro da Educação, Joaquín Lavín, ter desde o início apoiado Yasmín e seus pais. Lavín disse que a lei chilena “não permite a discriminação”.

“Temos que respeitar o multiculturalismo e diversidade do Chile. A lei da educação protege o direito de Yasmín usar o véu islâmico junto com seu uniforme escolar”, destacou o ministro.

De acordo com Fuad Musa, Yasmín “é uma menina muito especial e muito religiosa”, que por opção própria quis usar o véu islâmico. Seus pais, a princípio, nem sabiam. Ela queria surpreendê-los.

Segundo o pai de Yasmín, Hussein Elsayed, dois fatos similares ocorreram anteriormente no Chile:

“Uma muçulmana foi expulsa de uma escola pelo mesmo motivo. Ela foi mandada a uma outra escola, na qual foi bem recebida, e o problema foi solucionado. E em um outro caso uma muçulmana foi demitida por uma empresa de telecomunicações por usar o hijab. Ela iniciou um processo contra a empresa e conseguiu receber uma enorme indenização”, conta Elsayed.

O sociólogo chileno Isaac Caro acredita que seja apenas uma questão de tempo até que o islã seja um assunto tão em voga na América Latina quanto é na Europa. Caro prevê que as discussões sobre o véu islâmico e a burca, que hoje estão na ordem do dia para os europeus, logo também serão comuns entre os latino-americanos.

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