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Bruxelas, Bélgica
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Dinheiro destinado pela UE aos roma “some”

Data de publicação : 3 Setembro 2010 - 2:49pm | Por Tijn Sadée (Foto: TS)
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A Europa não tem nenhum controle sobre os cerca de 10 milhões roma que vivem nos limites da União Europeia. Bruxelas investe bilhões de euros em projetos que visam melhorar as condições de vida deste grande grupo minoritário europeu, mas mesmo assim os roma, vulgarmente chamados de ciganos, continuam sendo uma ‘dor de cabeça’ para vários estados membros da UE.

A polícia francesa desmontou acampamentos roma em toda o país nos últimos meses. Pelo menos 8100 roma receberam um bônus para voltar para a Romênia e Bulgária, os países de onde vêm originalmente. Opositores desta política rígida do presidente Nicolas Sarkozy falam em “deportação”. Sarkozy, apoiado por uma grande parte dos franceses, acha que a Romênia e a Bulgária têm que receber e manter os roma.

Outro status na Colômbia

Em um país como a Colômbia, vê-se com incredulidade a discussão sobre a posição dos roma na Europa. No país sul-americano, este grupo é considerado oficialmente “integrante da diversidade étnica e cultural nacional”. “A Europa lida com os roma como as Américas lidam com os índios: eles são discriminados, sofrem com o racismo crescente e são marginalizados na sociedade”, diz à RNW Dalila Gomez, porta-voz dos cerca de 5 mil roma da Colômbia.

Gomez acha que a França está excedendo todos os limites e define a postura do país europeu como “uma volta ao nazismo”. Ela propõe a América do Sul como exemplo: “Nós somos países do terceiro mundo, mas somos, apesar de tudo, modelo de país civilizado. Nos comprometemos a viver juntos com outros grupos e culturas, e fazemos isso.”

Claro que os roma não são cidadãos da Bulgária ou da Romênia no senso comum. Pela natureza da cultura nômade desse povo, eles não aceitam a noção de nação ou cidadania. O fato de serem tecnicamente búlgaros ou romenos é o resultado da situação pós-guerra de muitos roma na europa oriental, na qual os regimes comunistas os forçaram a abandonar seu estilo de vida itinerante. Seus filhos cresceram em apartamentos e foram enviados para a escola.

Para recebê-los, a Romênia e a Bulgária recebem muito dinheiro da União Europeia. Bruxelas investe, através do Fundo Social Europeu, 17,5 bilhões de euros em grupos vulneráveis da Europa. A maior parte dos cerca de 13 bilhões de euros num período de 6 anos vai para os roma.

Autogestão
A verba que vai para projetos no leste europeu é controlada pela Comissão Europeia, mas como este dinheiro é de fato aplicado no país, por exemplo, na Romênia, “isso é administrado pelos próprios romenos”, diz uma fonte da Comissão Europeia.

“A chance de que o dinheiro seja mal administrado é um risco constante”, diz a europarlamentar romena Renate Weber.

Seu colega holandês Dennis de Jong, do Partido Socialista, vai mais além: uma grande parte do dinheiro da União Europeia para projetos dirigidos à integração dos roma nos países do leste europeu “some”. “O Tribunal de Contas Europeu já alerta há muito tempo que não existe controle sobre o emprego de grande parte das verbas de ajuda. Com frequência há corrupção.”

Discriminação
O desconforto que a Europa Ocidental sente nas discussões sobre o destino dos roma não é compartilhado no leste europeu. A maioria dos europeus orientais se refere aos roma de maneira claramente discriminatória. Assistentes sociais húngaros, tchecos ou búlgaros se debatem com o dossiê: que os roma são discriminados é evidente, mas qual é o papel dos próprios ciganos nisso?

”Eles também são responsáveis pela imagem negativa que têm”, dizem algumas pessoas ligadas aos projetos voltados para os roma. Com frequência, elas percebem que nas comunidades roma não há ânimo para pegar o destino com as próprias mãos.

Na Romênia, atualmente chegam aviões cheios de chineses, vietnamitas e indianos para ocupar o lugar deixado por romenos que foram trabalhar na Holanda, França e Itália. Uma situação absurda, considera a europarlamentar romena Renate Weber. Os asiáticos são “uma força de trabalho mais barata e mais disciplinada, enquanto os roma têm dificuldade em aceitar a disciplina imposta”.

Segundo ela, há muita discriminação no mercado de trabalho romeno. “Empregadores romenos preferem chineses ou vietnamitas aos roma”, diz Weber.

Por iniciativa de Nicolas Sarkozy, ministros de migração e integração de seis países da UE se encontram em Paris na segunda-feira, 6 de setembro, para uma reunião. Apenas os países com uma política de deportação rígida foram convidados. A Holanda não está entre eles.

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