Governar ou não com Geert Wilders? A questão provocou uma profunda crise no partido democrata-cristão, CDA. Mesmo os líderes que negociam a participação do partido na nova coalizão de governo, Ab Klink e Maxime Verhagen, já não conseguem entrar num acordo.
As negociações com o líder do partido de extrema-direita, PVV, Geert Wilders, estão atravessadas na garganta do CDA. A princípio, o moto era esperar para ver o que aconteceria. Mas à medida que as informações sobre as negociações foram sendo divulgadas, foram surgindo cada vez mais oponentes dentro do partido.
O ex-primeiro-ministro Dries van Agt e os ex-ministros Ben Bot, Cees Veerman e Hanja Maij-Weggen estão na lista de proeminentes do CDA que apelaram para que o partido parasse as negociações com Wilders – e esta lista está cada vez mais longa. Políticos locais e regionais também entraram no debate, e o ex-primeiro-ministro e ex-informador da rainha, Ruud Lubbers, pediu uma pausa nas negociações. O líder do CDA, Maxime Verhagen, não deu muita atenção.
Coalizão maléfica
Nesta terça-feira, o político Jan Schinkelshoek retirou sua candidatura ao parlamento. Schinkelshoek não vê nenhum benefício na parceria com o líder do PVV e declarou a seus colegas estar “infeliz com a ideia de uma coalizão apoiada por um partido como o PVV, maléfica para o CDA e para o país”.
O negociador e líder democrata-cristão, Maxime Verhagen, tentou minimizar a crise. Quando o jornal Trouw divulgou que havia um dissidente no CDA, Verhagen negou, mas o problema dentro do partido acabou aumentando. Membros do CDA acham que Verhagen não os manteve suficientemente informados sobre o rumo das negociações.
Verhagen
Nos últimos dias, a crise ficou mais grave. Mesmo os negociadores já não estão de acordo em sua estratégia. Verhagen quer continuar as conversas; a base do partido teria voz depois do resultado final. Mas Ab Klink quer parar com as negociações. Uma controvérsia sem precedentes no CDA.
Teme-se pelo desmoronamento do partido democrata-cristão. O CDA está dividido em dois campos. Um lado acha que, seja como for, não se deve negociar com Wilders e legitimar um partido que se opõe à liberdade religiosa – é a opinião, entre outros, de Van Agt, Bot, Veerman, Maij-Weggen en Schinkelshoek.
O outro lado segue a linha pragmática de Verhagen: primeiro querem ver onde as negociações com Wilders irão levar. Verhagen salientou anteriormente que nunca entraria em acordo com posições controversas do PVV como o registro étnico, a proibição de construção de mesquitas e a taxa para o uso do véu islâmico. “Nada disso entrará no acordo de governo”, garantiu.
Entre os dois campos há uma distância clara. Parece impossível aproximar as duas partes, a não ser que Verhagen ainda tenha algum coelho na cartola.
Debate
O debate dos membros do CDA foi interrompido na terça-feira por volta da meia-noite, depois de mais de sete horas de discussão, mas deve continuar hoje. O líder do partido, Maxime Verhagen, disse que as discussões eram urgentes e que seria bom ter uma noite de sono antes de se chegar a uma decisão.
Até lá, as negociações para a formação da nova coalizão de governo na Holanda estão paradas.






























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