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Bruxelas, Bélgica
Bruxelas, Bélgica

Crise do euro: omelete não pode virar ovos de novo

Data de publicação : 5 Dezembro 2011 - 9:07pm | Por Hans de Vreij (Foto: ANP)
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Esta é a cúpula européia que deverá salvar o euro. Nesta quinta e sexta-feira, chefes de estado e líderes da União Europeia se reúnem em Bruxelas. Os 17 países da zona do euro terão então que tomar medidas resolutas para resgatar a moeda única. Dizem. Pois parece que o prazo limite, proposto para o dia 9 de dezembro, será novamente estendido.

Nesta segunda-feira, o duo Alemanha e França já deu início à preparação para a cúpula. A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, se encontraram em Paris para discutir um plano de resgate para o euro. Para começar, “enquanto durar a crise”, haverá todos os meses uma conferência de cúpula dos países da zona do euro. Países com um déficit orçamentário acima de 3% receberão automaticamente uma multa. É preciso haver um abrangente novo tratado europeu, pelo menos para os 17 países do euro, mas de preferência para todos os 27 países membros da UE. No próximo ano deverá ser criado o fundo de resgate do euro, já discutido anteriormente. Para receber apoio deste fundo, os países deverão receber 85% de votos a favor.

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Na sexta-feira estes e outros acordos da dupla ‘Merkozy’ deverão ser selados na cúpula europeia em Bruxelas. Mas esta será mesmo a data limite? Tudo leva a crer que políticos e mercado financeiro construíram uma margem adicional de manobra. A operação de salvamento do euro tem que estar concluída em algumas semanas, disse o economista-chefe do banco ING, Mark Cliffe, num programa da televisão holandesa:

“Certamente é verdade que o pânico que temos visto em alguns setores dos mercados financeiros agora está começando a transbordar para a economia real. Estamos vendo as próprias empresas começarem a agir como se a quebra da união monetária fosse uma perspectiva realista. Portanto, a pressão é enorme e teremos que ver alguma ação nas próximas semanas.”

“Nas próximas semanas” soa muito diferente de: “no máximo até 9 de dezembro todos os problemas têm que ser solucionados, senão o euro cai”, como se ouviu na semana passada.
Enquanto isso, alguns especialistas dizem que euro não pode e não vai cair, porque as consequências disso não podem ser previstas. É o que também diz Nout Wellink, ex-presidente do Nederlandsche Bank:

“Os danos de uma queda do euro ou de um racha na zona do euro seriam tão gigantescos que os líderes europeus, que sem dúvida sabem disso, irão evitar isso.”

Palavras tão promissoras passam longe da realidade: no final são os mercados financeiros internacionais e não os políticos que determinarão se o euro sobreviverá ou não. “O mercado sempre tem razão”, é uma afirmação banal, mas nem por isso incorreta.

Se o euro cair ou houver divisão na zona do euro, a Holanda deverá sofrer um choque extremamente duro. Segundo Mark Cliffe, isso acontecerá porque a Holanda depende muito do comércio exterior e depositou ou investiu enormes quantias de dinheiro na zona do euro.

“A Holanda tem uma economia muito aberta. Uma grande porção de seu comércio é com o resto da Europa. E também é muito exposta em termos de suas economias e fundos de pensão. Claramente, tem ativos massivos por toda a Europa e estes seriam adversamente afetados pelo trauma de uma quebra da união monetária.”

Para ser mais preciso, segundo o ING, a Holanda exportou no ano passado 244 bilhões de euros para outros países da zona do euro. Além disso, houve investimentos de 850 bilhões de euros de fundos de pensão, bancos, seguradoras, fundos de investimento e similares nos mesmos países. No total, portanto, é uma quantia estonteante de mais de um trilhão de euros. Se o caos atingir a zona do euro, estes bilhões seriam depreciados, o que teria consequências catastróficas para a economia holandesa.

Mas, segundo o perito do ING, pelo menos existe na Holanda um ponto positivo: os bancos estão relativamente saudáveis. Ainda assim:

“Por sorte, os bancos holandeses estão, relativamente, em bom estado, mas de qualquer forma, nos encontraríamos numa situação muito dura, tendo que recriar todas estas moedas.”
E se o cenário mais negro se tornar realidade? Mark Cliffe compara com um omelete que tem que ser novamente transformado em ovos. Será preciso um passe de mágica.

“É um cenário muito dramático, porque temos uma união monetária muito complexa aqui, envolvendo 17 países. Desfazer este omelete, particularmente, vai ser muito doloroso, se for o que por fim tivermos que fazer.”

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