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Mina de urânio Rössing, na Namíbia.Foto: Anthony B. Bannister (c) 2009 Rio Tinto
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Mina de urânio Rössing, Namíbia
Mina de urânio Rössing, Namíbia

Cresce o mercado de urânio

Data de publicação : 15 Janeiro 2010 - 12:07pm | Por Willemien Groot (Foto: Anthony B. Bannister)
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Atualmente, matérias primas são um investimento garantido. Mesmo com a recuperação mundial das bolsas de valores, investidores procuram segurança em petróleo, ouro e também em urânio.

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Um buraco de três quilômetros de comprimento, dois de largura e um quilômetro de profundidade. Desde a abertura, em 1976, caminhões enormes transportam dia e noite minério de urânio para uso em centrais nucleares estrangeiras. Os funcionários moram perto da mina com suas famílias em uma cidade de cerca de 50 mil habitantes. Assim descreve Joseph Wilde, da Somo (fundação que pesquisa a atividade de empresas multinacionais), a maior mina de urânio do mundo na Namíbia.

A mina fica estrategicamente localizada no deserto da Namíbia, a 150 quilômetros de um porto. A mina Rössing quase foi fechada, mas a empresa australiana Rio Tinto, que tem participação majoritária, decidiu mantê-la em funcionamento.

A decisão tem a ver com o crescente interesse por energia atômica e a Namíbia tem um papel importante nisso. Nos últimos dois anos, mais de cem novas licenças de exploração foram emitidas, conta Joseph Wilde. Com grande impacto para a infraestrutura.

”Teve muitas consequências para a infraestrutura, principalmente de água. Uma mina de urânio utiliza muita água para retirar o urânio e também muita energia. E depois há o transporte. Muitas minas novas ficam no deserto, mas também há algumas no norte da Namíbia, onde moram muito mais pessoas e onde há mais natureza”, explica Wilde.

Alternativa
Com o debate sobre o clima e a impossibilidade de usar tecnologia verde para captar energia, ressurgiu o interesse pela energia nuclear. Até o renomado cientista James Lovelock defende a energia nuclear como uma boa alternativa. A China e a Índia querem construir dezenas de novas centrais nos próximos anos. E mesmo na Europa estuda-se com cuidado o fim da moratória voluntária sobre energia nuclear.

Um investidor de Amsterdã foi um dos primeiros no mundo a ver, em 2003, potencial no mercado de urânio. Naquela época, ambientalistas diziam pela primeira vez que já não rejeitavam completamente a energia nuclear. O próprio James Lovelock disse que não via outra maneira de solucionar a demanda por energia. Mas investir em empresas de exploração de minas de urânio e empresas que constroem usinas nucleares não é fácil, reconhece Maarten Friederich, da IVM Vermogensbeheer, de Amsterdã.

”Nos rendeu muito. Trouxe-nos enormes resultados, tanto em termos positivos como negativos. Oferece muito movimento e nós tivemos muito lucro com isso, ou pelo menos nossos clientes. Mas também tivemos perdas quando as empresas despencaram em 2007. Houve naquela época uma enorme baixa”, diz Friederich.

Recuperação do mercado
A baixa de 2007 ainda não foi recuperada, embora o mercado de petróleo já se recupere lentamente. Segundo Friederich, é uma questão de tempo. Embora ele não ouse prever quando irá acontecer. Investidores interessados devem levar em conta que se trata de um investimento de longo prazo.

”Há dois movimentos importantes. Primeiro, naturalmente, a demanda e a necessidade de diminuir as emissões de CO2, e energia nuclear pode ter uma grande papel nisso. E segundo, o grande interesse de alguns países em dominarem o enriquecimento de urânio. Pode-se desconfiar de seus motivos, com certeza, mas estes são os desenvolvimentos que, em última análise, estão ligados à demanda por urânio.”

Radiação e poluição
A exploração de urânio é, em si, prejudicial ao meio ambiente. Os arredores das minas são contaminados por grandes quantidades de radiação e lodo. Ex-funcionários da mina Rössing reclamam sobre problemas de saúde e contam sobre o alto número de ex-colegas que morreram de câncer. Segundo a Rio Tinto, os empregados estão expostos a baixas radiações, não muito acima da radiação ambiente normal. Mas Joseph Wilde, da Somo, acredita que anos de trabalho na mina de fato têm seu preço.

Apesar das mais de cem novas licenças de exploração, eventualmente, não haverá mais que cinco novas minas. “A Namíbia não ganha nada com isso”, diz Joseph Wilde. “Menos de 5% dos lucros ficam no país.

”Da forma como acontece agora, o país não ganha nada. Muito pouco do lucro fica na Namíbia e as comunidades locais e trabalhadores ainda ficam com a radiação e a poluição que uma mina destas traz.”

Wilde vê a indústria do urânio como uma escolha difícil entre dois males. A questão é saber se as usinas de energia nuclear são mesmo uma solução para o problema de energia do ponto de vista ambiental. As minas oferecem oportunidades de trabalho, mas com grandes riscos. De qualquer forma, é preciso levar em conta o parecer da população local, acredita Wilde. “E neste caso, precisamos garantir melhorias na segurança.”
 

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