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Roterdã, Holanda
Roterdã, Holanda

Cores do Brasil em Roterdã

Data de publicação : 24 Agosto 2009 - 4:13pm | Por Mariângela Guimarães
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Terminou oficialmente neste fim de semana o evento ‘Brazil Contemporary’, que reuniu trabalhos de artistas, arquitetos e designers brasileiros em grandes exposições em três museus de Roterdã - Boijmans van Beuningen, Fotomuseum e NAI - e promoveu atividades culturais relacionadas ao Brasil durante todo o verão holandês. Até a semana passada, as exposições haviam recebido mais de 70 mil visitantes, sem contar o público do último final de semana e dos vários eventos realizados ao ar livre.

Apesar do encerramento oficial, a mostra no Nederlands Fotomuseum ainda pode ser vista até 27 de setembro, e o último evento da programação, o ‘Kleur Brazil’ (Cor Brasil) - mostra de moda, arte e design brasileiros realizada pela arquiteta paulista radicada na Holanda, Leila Abe - permanece até o dia 29 de agosto.

Kleur Brazil
As exposições do projeto ‘Kleur Brazil’ podem ser vistas em lojas da rua Van Oldenbarneveltstraat e em alguns outros endereços de Roterdã, como o CBK (Centrum Beeldende Kunst), o Hotel Westin e o Consulado Geral do Brasil. A mostra reúne trabalhos de Kimi Ni, irmãos Campana, Carlos Motta, Heloísa Crocco, Jum Nakao, Thaís e Maria Tereza Pimentel, Elaine Ribeiro, Bia Mello, Ronaldo Fraga, Miriam Pappalardo, Mana Bernardes, Renata Meirelles, César Abe e Júlia dos Santos Baptista.

O projeto também trouxe vários destes designers para uma semana de intercâmbio com designers holandeses. Entre eles Jum Nakao e Maria Helena Estrada, editora da revista Arc Design, que no último sábado apresentaram palestras no café De Unie, em Roterdã.

Panorama
Maria Helena Estrada fez um panorama do design brasileiro, de Santos Dumont aos dias de hoje, elogiando a originalidade na escolha dos materiais e a liberdade dos designers brasileiros. "Não temos uma herança passada para respeitar, então podemos fazer qualquer coisa. Acho que essa é nossa grande vantagem", disse, falando também da importância de se "ver o design além de seu aspecto formal". Mas criticou a insistência dos designers de móveis no Brasil em trabalhar com madeira: “O mercado quer madeira e o brasileiro não sabe trabalhar madeira. Ontem fui a uma loja aqui que tem mobiliário dos anos 50 em multiestrato laminado. O brasileiro não faz isso - Sérgio Rodrigues é o único. Eles pegam uma tora de madeira e dizem que aquilo é uma mesa. É um contra-senso querer continuar trabalhando com madeira e, ao mesmo tempo, não aprender a trabalhar a madeira”, alfineta Maria Helena. “A madeira é muito mais útil na árvore. A floresta precisa ser reciclada e é muito complicado você dizer que a madeira é certificada. Eu não acredito, porque você vê na televisão todo dia o que se faz na Floresta Amazônica. E já que o cupim é inevitável, vamos escolher outro material”, comentou com bom humor e sabedoria.

Costurando o invisível
Já Jum Nakao apresentou o programa ‘Costurando o Invisível’, sobre seu último trabalho de moda, o já histórico desfile de roupas de papel na São Paulo Fashion Week de 2004 (veja o vídeo abaixo). Como um VJ, ele comandava som e imagem, intercalando comentários pessoais numa apresentação que emocionou o público presente.

Falando de suas impressões do design holandês, ele destacou: “Na Holanda eu vejo que o design de objetos e de móveis tem o processo como base, a pesquisa por novas formas de produzir. E isto é extremamente importante, porque se você não muda os processos os resultados vão ser muito parecidos ou iguais. Em moda eu não vejo este foco, este mesmo berço investigativo. Enquanto no design nós vemos uma diretriz correta, em moda eu acho que isso ainda falta pra cá também.”

Sobre as experiências que leva na bagagem de volta para o Brasil, ele diz que quer tentar implantar ao máximo esta valorização da pesquisa e da experimentação: “Porque de outra forma você se torna um pouco refém de uma linguagem já falada, já conhecida, e não articula nada novo. O que mais me impressionou nestes dias foi o quanto essa pesquisa tecnológica, o quanto o saber, o novo, a investigação aqui são valorizados, ao contrário do Brasil onde isso fica muito para segundo plano.”

Fotos: Mariângela Guimarães

 

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