Neste final de semana, completam-se 15 anos do maior genocídio europeu desde a Segunda Guerra Mundial, ocorrido em Srebrenica, na Bósnia-Herzegovina. Militares bósnio-sérvios assassinaram 8000 muçulmanos. Entre eles estava o pai de Alma Mustafic, que trabalhava para os capacetes azuis (como são chamados os soldados das forças de paz da ONU) holandeses na Bósnia.
Rizo Mustafic trabalhou três anos como eletricista no batalhão holandês quando os militares bósnio-sérvios atacaram Srebrenica, em 11 de julho de 1995. Junto com sua família, Rizo Mustafic fugiu para a ‘segura’ base militar holandesa das Nações Unidas. Permitiu-se que Mustafic entrasse e o nome dele estava em uma lista de pessoas que poderiam evacuar junto com os militares holandeses. Para o desespero de Alma e sua mãe, Rizo foi entregue aos sérvios no último minuto.
“Tudo aconteceu muito rápido”, diz Alma. “Ele foi empurrado para um canto. E nós para um outro canto. Nós tínhamos que continuar andando. O que ficou na minha memória é que eu virava muito para trás, como se fosse para olhar bem para ele pela última vez. E minha mãe que dizia o tempo todo: Não olha pra trás, não olha pra trás! Porque senão daqui a pouco nós também teremos que ficar!”.
Essa foi a última vez que Alma viu seu pai. Desde então ela não sabe mais nada dele. Seus restos mortais nunca foram encontrados.
Depois da ocupação de Srebrenica, Alma imigrou para a Holanda. Era o desejo de seu pai. Ele não queria que ela crescesse em um país corrupto. Alma renunciou a sua nacionalidade bósnia e atualmente leciona direito tributário em um instituto de ensino superior em Utrecht.
Alma não acha difícil viver em um país que em 1995 a deixou na mão: “Não acredito que os soldados individualmente poderiam mudar a situação. Mas estou convencida de que se os comandantes se posicionassem de outra maneira as coisas seriam diferentes. Se você parte do princípio que meu pai tinha 100% de certeza que seria protegido e acabou morrendo por uma falha tosca de um dos funcionários do departamento pessoal... isso é muito doloroso. Ele poderia estar aqui agora. E não se ouve sequer um pedido de desculpas ou algo assim.”
Falhas
Alma ainda tem muita dificuldade em aceitar que ainda não está claro o que ocorreu em Srebrenica. Ela quer que a verdade seja descoberta e que o governo holandês admita que houve falhas.
“Se a Holanda não errou, por que existem tantos documentos secretos que nós não podemos ver? Os holandeses sabiam dos assassinatos, sabiam que seriam cometidos homicídios em massa nos dias seguintes. Acho que se todos os fatos se tornassem conhecidos, seria provado juridicamente o que nós já sabemos: que o governo holandês cometeu muitos erros e que simplesmente tem medo de ter de pagar enormes indenizações.”
Alma Mustafic, juntamente com outros parentes dos falecidos, entrou com um processo no Ministério Público holandês contra o comandante das forças de paz da ONU em Srebrenica.






























Os responsáveis por esse genocídio merecem ser julgados pela Corte Internacional de Haia, sejam bósnios, sérvios, holandeses ou militares do Corpo de Paz da ONU. Se são culpados devem ser presos.
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