Talvez porque seja parte do meu ofício, designer gráfica, mas sempre fico curiosa em bisbilhotar o cartão de visita dos outros.
E não estou querendo vender meu peixe não, mas acho que esse pequeno pedaço de papel, instrumento fundamental na arte do networking, merece mais cuidado e atenção.
Eu entendo que nem todo mundo tem a sorte (ou o azar?) de nascer com um cartão de visita prontinho da empresa que serve. Mas mesmo se sua profissão for a de dona-de-casa, vá hoje mesmo encomendar o seu. Não tem coisa pior do que entregar seu nome e endereço para alguém escrito num recibo amarfanhado de supermercado.
Pior que não ter nenhum, é ter um mal feito. Outro dia conheci um sujeito estiloso num evento badalado. Bem vestido, bonitão, papo bom. Ele disse que era diretor de arte de filmes de publicidade e sei lá o que mais. Então me deu seu cartão: aqueles impressos em casa, em folha A4, só de um lado. E socorro, com endereço Hotmail!
O cartão não precisa só ser bonitinho, mas também ter conteúdo. Cuidado com o cartão de visita indeciso. Tipo Fulano de Tal, profissão: músico, artista plástico, jornalista, fotógrafo, escritor...
Eu compreendo que fazer seu próprio cartão de visita pode originar uma crise existencial. O cartão de visita diz quem a pessoa é, o que faz, e como pode ser localizada. E no mundo de hoje, em que a tendência é se tornar cada vez mais multi-profissional, sempre vem a dúvida cruel quando nos perguntam o que somos e o que fazemos.
Agora, cartão de visita mentiroso não dá, porque, o que fazemos depois que ganhamos um cartão de visita? Vamos perguntar para o Senhor da Verdade, Mister Google, e ver se a informação confere mesmo.
E atire a primeira pedra aquele que nunca pesquisou alguém no Google.
Aliás, você já se olhou no espelho hoje? Não aquele pendurado no seu banheiro, mas no seu computador. O Google é nosso espelho virtual. Ele me faz recordar outro espelho famoso, aquele da madrasta da Branca de Neve:
"Google, Google meu, existe alguém com mais páginas que eu?"
A imagem que você vê no espelho do seu banheiro até dá para retocar, dar uma camuflada nas olheiras e nos sinais do tempo. E se já não há mais maquiagem que salve o estrago, há hoje outras tantas opções que nem preciso mencionar.
Já para maquiar as rugas da nossa imagem virtual, aquela que aparece no Google quando a gente procura a gente mesmo, a coisa fica mais complicada. Apagar alguma informação errada a seu respeito ou deletar aquela foto horrorosa que de repente apareceu, é missão mais que impossível.
Mas também não encontrar 'nenhuma' informação sobre você pode ser ainda mais frustrante e gerar mais uma crise existencial: Não sou encontrado no Google, logo não existo!
* Bea Correa é designer, diretora criativa da Mind What You Wear, e vive na Holanda desde 1992.

































Bea, depois de ler seu texto sai correndo pra dar uma conferida no meu cartão!!! Ótimo!! :-)
Tb tô com saudades, espero q role uma baladinha em breve... BJS
Bea amei o artigo,eu sou de outra linhagem rsrsr,aquela que muda toda hora o cartão de visita,pq faço isso???Vou pensar!
Ah meu email ainda é hotmail!bjus
Ei Bea, adorei. Me identifiquei completamente. Passei pela crise existencial do que colocar no tal cartão, ainda acho que não está perfeito mas sem dúvida depois dele sinto_me bem mais profissional... Rose
Concordo com vc Bia, cartão em folha A4 não da. Sucesso!
oiiiiiiiiiiii,
muito bom o seu artigo. Eu mesma nao devo existir, pois nao me encontram em lugar virtual nenhum. Mas nao me sinto uma inexistente. Optei por nao aparecer. Acho tudo muito invasivo. Meus amigos todos tem meu e-mail e assim nos comunicamos. Os demais nao me interessam. Continue escrevendo.... Adoro seus comentários!!!! Bjs,
Rê
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