Radio Netherlands Worldwide

SSO Login

More login possibilities:

Close
  • Facebook
  • Flickr
  • Twitter
  • Google
  • LinkedIn
Início
Sábado 25 Maio  
Tom Deiters: Cineasta holandês em luta contra os pesticidas
Retrato de Maurice Laparlière
Map
Punjab, Índia
Punjab, Índia

Cineasta holandês em luta contra os pesticidas

Data de publicação : 24 Maio 2011 - 12:49pm | Por Maurice Laparlière (Foto: BVN)
Assuntos relacionados:

Quando estudante, há seis anos, o holandês Tom Deiters pesquisou as razões do elevado número de suicídios na parte rural da Índia. Mostrou-se compadecido com a situação dos pequenos agricultores, cujas vidas muitas vezes começam e literalmente terminam com o manejo de pesticidas. Através do seu filme, ‘Toxic Tears’, Deiters se engaja agora numa missão contra o uso de agrotóxicos.

Para ele, que é estudante de Relações Internacionais, a história do casal de idosos Gindo e Maghar foi a gota d’água. Eles perderam dois filhos que beberam pesticida para acabar com suas vidas, arrasados pelo implacável sistema agrícola, intimamente ligado à Revolução Verde da Índia.

Prêmio Nobel

A Revolução Verde data da década de 1970. Especialmente em Punjab, vastas áreas de deserto converteram-se em terrenos agrícolas estruturados. O ‘pai espiritual’ da iniciativa, Norman Borlaug, recebeu pelo feito o Prêmio Nobel em 1970. Mas foi somente décadas depois que se evidenciaram as desvantagens da utilização generalizada de pesticidas e fertilizantes.

Em seu filme, Deiters se concentra sobre o lado supostamente perverso do sistema. Agiotas com influência no comércio de fertilizantes e pesticidas, cujo monopólio lhes permite exigir juros exorbitantes. Em outras palavras, o dinheiro advindo do empréstimo volta em grande parte para credores e especuladores.

No documentário, os agiotas são bastante honestos em admitir o aumento da pressão sobre os inadimplentes, mas afirmam nunca ter ouvido nada sobre suicídios entre os agricultores. O próprio governo indiano, na sua política pró-pesticidas, calcula que aconteçam cerca de 15 mil suicídios de camponeses por ano. A New York University School of Law chegou num estudo recente à cifra de pelo menos um suicídio a cada meia hora.

China, Brasil e Japão

Os pesticidas estão atualmente no centro das atenções. Recentemente foram as melancias chinesas que arrebentavam por causa do uso excessivo de substâncias de crescimento. As manchetes de revistas e jornais, particularmente na Ásia, são dominadas por escândalos alimentares.

No entanto, existem também vantagens na utilização de pesticidas. A agricultura em grande escala acabou com a fome em várias partes da Índia e da China. Mas estes países já sofrem em algumas regiões das consequências da poluição do meio ambiente, entre elas o número excessivo de defeitos congênitos graves.

O debate mais feroz no momento parece ser o do uso de exterminadores de ácaros e insetos como o Endosulfan. Em muitas partes do mundo, este veneno barato é proibido, mas não na Índia, na China e no Japão. O Brasil está atualmente considerando a proibição do pesticida.

Sem solução
O filme ‘Toxic Tears’ aponta para um claro problema, mas não oferece uma solução eficaz. Deiters aposta numa mudança generalizada para agricultora ecológica, incluindo os ‘pesticidas esquecidos’ como uma alternativa. Há, com efeito, uma abundância de plantas, flores e animais que repelem insetos e parasitas indesejados. A questão é que muitas vezes são bem mais caros, demorados e menos certeiros que uma simples lata de pesticida.

A agricultura biológica em grande escala tem ainda um longo caminho pela frente, porque implica uma redistribuição de terras agrícolas. Isso causa, pelo menos temporariamente, uma diminuição na colheita. Na Índia os pobres já têm hoje problemas com os preços elevados dos produtos alimentares.

Interesse por parte do Irã

O filme ‘Toxic Tears’ está sendo apresentado em pequenos festivais de cinema e foi visto também na Índia. Segundo o cineasta, as reações entre as crianças em idade escolar e os moradores dos povoados foram de pura revolta contra o sistema atual, ao passo que os professores universitários da área o bombardeavam com contra-argumentos. Deiters aponta para o fato de que alguns deles tinham funções paralelas junto aos grandes produtores agrícolas.

Também marcante foi o fato de Tom Deiters receber um convite da televisão estatal iraniana: aparentemente por interesse genuíno no tema do filme, mas talvez também com algum item ainda não revelado na agenda. O regime seria capaz de usar o filme como um instrumento de propaganda contra o sistema ‘pernicioso’ do Ocidente. Por isso foi decidido não cooperar com a projeção do filme no Irã.

Debate

Submeter um novo comentário

O conteúdo deste campo é privado e não irá ser exibido publicamente.
  • Marcadores de HTML permitidos: <a> <em> <strong> <cite> <code> <ul> <ol> <li> <dl> <dt> <dd> <p> <br>
  • As linhas e os parágrafos quebram automaticamente.
  • Endereços de páginas web e endereços de e-mail são transformados automaticamente em ligações.

Mais informação sobre as opções de formatação

Vídeos

Holanda: bigode laranja para a Eurocopa
Ruas cor de laranja, bandeiras vermelhas, brancas e azuis e decoraç...
Pastores sonham com dias melhores
Pastores estão lentamente desaparecendo da paisagem holandesa....
Recordes na venda de arte moderna
Na casa de leilões Christie’s em Amsterdã, obras de...