A confirmação de que o ex-presidente chileno Eduardo Frei Montalva foi assassinado em 1982 comoveu a sociedade chilena. Naquela época, Frei Montalva liderava a incipiente oposição à ditadura de Augusto Pinochet, que se prolongaria até 1990.
O juiz Alejandro Madrid decidiu, no início dessa semana, processar seis pessoas, entre elas quatro médicos suspeitos de cumplicidade na morte do ex-mandatário. A notícia causou surpresa no país, que se prepara para celebrar as eleições presidenciais no próximo domingo. Um dos candidatos é Eduardo Frei Ruiz Tagle, filho do ex-presidente assassinado.
A presidente do Chile, Michelle Bachelet, foi uma das primeiras a reagir à notícia: “O ex-presidente Frei Montalva denunciou as violações aos direitos humanos e, provavelmente, isso motivou a ação criminal contra ele”. Bachelet disse ainda que “no Chile a justiça tarda, mas chega”.
As especulações políticas sobre o contexto em que se ordenou as investigações não tardaram. O senador Víctor Pérez, da direitista União Democrata Independente, sugeriu que a resolução poderia atender a interesses para obter impacto eleitoral em benefício do candidato situacionista.
O presidente da Corte de Apelações de Santiago, Jorge Dahn, não tardou em reagir a tais sugestões, assinalando que o Poder Judiciário não está sujeito aos acontecimentos da atualidade nacional.
Eduardo Frei Montalva, presidente do Chile entre 1964 e 1970, foi internado no final de 1981 na Clínica Santa Maria de Santiago para se submeter a uma simples intervenção cirúrgica por causa de uma hérnia. Entretanto, sua condição se deteriorou rapidamente logo após a cirurgia e ele faleceu em 22 de janeiro de 1982, aos 71 anos.
Fontes oficiais declararam que o ex-presidente chileno sofreu uma infecção bacteriana, que gerou uma peritonite aguda e, posteriormente, um choque séptico, que teria causado sua morte. Entretanto, a investigação judicial concluiu que Frei Montalva morreu envenenado.
É bastante possível que esses processos sejam seguidos de outros, declarou o mesmo juiz Alejandro Madrid, já que a investigação não foi concluída.
* A Rádio Nederland falou sobre o tema com Roberto Garretón, advogado chileno, representante para a América Latina do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Ouça a entrevista em espanhol.
























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