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Centro holandês para refugiados em Angola está vazio

Data de publicação : 29 Março 2012 - 1:41pm | Por Erik Klooster (Foto: ANP)
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A Holanda investiu milhões de euros em um centro de acolhida em Angola. A intenção era receber refugiados angolanos menores de idade que a Holanda deportou para o país africano. O centro foi aberto em 2003, mas até agora foi muito pouco utilizado.

Os holandeses ainda se lembram muito bem do caso do angolano Mauro Manuel. Ele chegou na Holanda sozinho com 9 anos de idade, cresceu em uma família holandesa e foi ameaçado de ser deportado ao completar 18 anos.

Como ele já morava há oito anos na Holanda, falava muito bem o holandês e sua família holandesa procurou a mídia para denunciar o que estava ocorrendo, seu caso comoveu a Holanda. Ainda assim, o parlamento holandês votou contra um visto de permanência para Mauro, embora tenha selado um compromisso na forma de um visto de estudante. Nesse meio tempo, Mauro solicitou esse visto e agora pode permanecer por mais tempo na Holanda.

Quem está agora em Angola é o Ministro holandês da Imigração e Asilo, Gerd Leers. O caso Mauro não é a razão da visita, mas o assunto mais importante com o governo angolano é a política de refugiados. Leers quer limitar o número de angolanos que partem para a Holanda. Ele também quer fazer acordos sobre a volta de angolanos que já estão no país norte europeu.

Por causa da guerra civil em Angola, principalmente a partir dos anos 1990, muitos jovens refugiados chegaram à Holanda. Na maioria das vezes chegavam sós e diziam que haviam perdido seus pais durante a guerra civil.

Mas a Angola de hoje é muito diferente da dos anos 1990, afirma o ministro Leers: “Não, não há mais guerra. É um dos países em que a economia está crescendo mais rápido no mundo. Portugueses fazem fila pra poder vir trabalhar aqui e os salários não deixam nada a desejar”.

No entanto, há angolanos que continuam querendo vir para a Europa, ainda que em menor número do que durante a guerra civil. De acordo com Leers o governo de Angola reconhece que os imigrantes indocumentados não deveriam vir para a Holanda. E a embaixada holandesa em Angola está controlando tudo; quando encontra documentos falsos, denuncia imediatamente.

“Estamos preparados para ajudar os angolanos que estão a muito tempo na Holanda e chegaram como criança para que voltem à sua pátria de cabeça erguida. Queremos apoiá-los financeiramente. Mas também temos que deixar claro que pessoas que não possuem uma carteira de identidade ou permissão de residência não são bem vindas na Holanda”.

Erro de cálculo
Leers sabe que o centro de acolhida em Mulemba, próximo à capital Luanda, é pouco utilizado porque a maioria dos refugiados deportados têm família. Mas o ministro se nega a falar em um erro de cálculo.

"Eu penso que foi muito bem calculado. Porque o centro de acolhida fez com que muita gente não ficasse na Holanda. Por essa casa de acolhida estar aqui, não há a necessidade de eles permanecerem na Holanda, gerando gastos ao governo holandês. A única coisa é que os estrangeiros menores de idade que nós deportamos não estão sozinhos no mundo e, com frequência, a família deles já os aguarda no aeroporto."

Leers diz que o centro de acolhida custou cerca de 100 mil euros por ano. De acordo com o ministro, custa muito mais receber um ou dois menores de idade na Holanda por ano. Ele fala de um bom investimento, que mostra claramente que o país europeu quer ajudar. "Não tem problema se os menores de idade deportados não precisam usar o centro porque têm família, já que o centro preveniu que estrangeiros permaneçam na Holanda por razões equivocadas", conclui Leers.

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