A presidenta da Federação dos Estudantes do Chile (FECh), Camila Vallejo, é a líder indiscutível do movimento estudantil que pede profundas reformas no sistema educacional. Alguns analistas já falam dela como uma futura figura política do país.
Por Isabel Caro
Os estudantes universitários do Chile, protagonistas de protestos multitudinários para exigir uma educação pública e gratuita no país, se recusaram a participar de uma mesa de diálogo com o congresso. A existência dessa dependerá da resposta governamental aos seus pedidos. O comunicado foi feito por Camila Vallejo, líder do movimento, que aproveitou a ocasião para anunciar que as mobilizações continuarão.
Camila estuda geografia e é defensora da educação pública. Segundo seu blog pessoal, a educação deve outorgar a igualdade de possibilidades, não possuir desequilíbrios regionais nem sociais e ser financiada de tal maneira que seja possível que o ensino e a pesquisa sejam de qualidade.
Direito universal
A jovem ganhou as eleições internas da Universidade do Chile e se transformou na segunda mulher a presidir a federação mais importante de estudantes do país em seus mais de cem anos de história. Nesse cargo, ela impulsiona e lidera o movimento estudantil que, através de protestos nas ruas, pede ao governo de Sebastián Piñera a profunda reformulação do sistema educacional.
Camila afirma que lutam para que se reconheça a educação como um direito universal e como um investimento fundamentalmente social, questões que considera essenciais para o desenvolvimento justo do país e seu fortalecimento democrático. Além disso, defende publicamente a importância do papel dos estudantes nas reformas educacionais e demonstra confiança no potencial dos jovens para participar na política e alcançar grandes resultados.
O carisma pessoal e a segurança nas suas ideias converteram Camila em uma referência para milhares de chilenos. Mas como todo líder, também tem detratores. Camila cresceu com seus pais nas comunas de Santiago e atualmente milita no Partido Comunista chileno, o que lhe acarretou uma chuva de críticas daqueles que pensam que ela é manipulada pelas elites da esquerda. Ela também é acusada de radicalizar o movimento estudantil, algo que Camila considera uma fórmula para desprestigiá-lo.
Contra a discriminação e o sexismo
A dirigente transmite suas ideias de forma clara e contundente em cada uma de suas aparições públicas. Assim o fez quando no início desse mês comunicou à imprensa o rechaço à proposta que o governo fez aos estudantes. Disse “não” a um maior financiamento à educação, a mais bolsas de estudos e a juros menores para os empréstimos estudantis, argumentando que era, simplesmente, “um pouco a mais de dinheiro”.
No entanto, a luta de Camila vai além da educação de qualidade. É uma jovem consciente sobre diversos assuntos sociais, como os direitos das mulheres em seu país. No seu discurso de posse frente à FECh destacou que “atrás da cortina do progresso econômico do Chile se esconde uma história de discriminação e machismo que perdura até os dias atuais”.
Diversos analistas e cientistas políticos veem Camila como uma figura feminina com um grande conteúdo ideológico e um enorme apoio popular de estudantes e professores, o que poderia transformá-la em uma referência importante do comunismo chileno. Ela assegura que entre suas aspirações profissionais não está inclusa a dedicação à política, mas está disposta a aceitar um desafio dessa magnitude no futuro se essas forem as exigências do movimento estudantil.





























Estive no Chile de 31.07 à 09.08, e tive oportunidade de presenciar a luta dos estudantes, em confronto com a polícia (carabineros). Presenciei os chilenos das janelas dos seus apartamentos apoiarem os estudantes batendo panelas. Também assisti pela TV vários debates, em que a jovem Camila, respondia aos integrantes do debate com muita segurança, demonstrando estar bem articulada. Fiquei admirando a jovem! Torço pelos estudantes chilenos, melhor, pelo bravo povo chileno.
Comunista, substantivo feminino. Inteligente e linda! Os chilenos merecem, a América agradece.
Submeter um novo comentário