A maioria das culturas que alimentam a crescente população mundial morre em contato com o mínimo de sal. No entanto, o solo ao redor do planeta está se tornando a cada dia mais salgado. Agricultores holandeses e cientistas agora estão desenvolvendo variedades de batatas resistentes ao sal. Um experimento local que tem grande interesse internacional e potencial global.
O experimento na ilha de Texel, no norte da Holanda, envolve 30 variedades, 26 delas novas, derivadas de quatro espécies resistentes ao sal que foram descobertas no ano passado. A empresa Sea Kale, de propriedade de Marc van Rijsselberghe, colheu e examinou as batatas esta semana.
Elas estão bonitas e têm gosto bom. Todo o sal vai para as folhas, então o gosto da batata permanece o mesmo.
Batatas, explica Arjen de Vos, da Universidade Livre de Amsterdã (VU), são bastante sensíveis ao sal, então muitas das 30 variedades testadas morreram durante o experimento. Mas duas delas produziram muito bem e podem oferecer uma solução ao aumento da salinização de terras agrárias em todo o mundo.
Projeto único
A única solução disponível atualmente é bombear enormes quantidades de água doce para as plantações, o que é caro e esgota ainda mais as fontes já escassas de água doce.
Este experimento é o primeiro de muitos. O objetivo é desenvolver uma batata resistente ao sal que possa ser cultivada em qualquer parte do mundo. Para muitos, a batata é uma cultura essencial e a base da dieta diária.
O projeto, diz De Vos, é único no sentido em que combina a experiência de produtores de batata, know-how científico, interesses comerciais e preocupações sociais. Algumas plantas estão sendo desenvolvidas comercialmente, mas em áreas atingidas pela fome outras plantas serão disponibilizadas gratuitamente.
Um bilhão de hectares
A demanda é modesta, mas está crescendo ano a ano. Um bilhão de hectares de terras cultiváveis em regiões costeiras correm risco de salinização, especialmente em países em desenvolvimento. No norte da África, a demanda por batatas resistentes ao sal já existe. E o Peru, berço da batata, onde existem três mil espécies diferentes, está buscando cooperação científica.
O experimento também envolve iguarias comestíveis como a salicornia e a ‘lavanda do mar’ (limonium), além de uma variedade de plantas selvagens que são naturalmente resistentes ao sal. Elas produzem bem e estão no menu de vários restaurantes locais.
Se as pessoas envolvidas no projeto conseguirem ‘domesticá-las’, as variedades resistentes ao sal poderão ser comercializadas como produção agrícola. E poderão ajudar a cultivar o bilhão de hectares de terras salinizadas e a alimentar milhares de pessoas ao redor do mundo.














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