Radio Netherlands Worldwide

SSO Login

More login possibilities:

Close
  • Facebook
  • Flickr
  • Twitter
  • Google
  • LinkedIn
Início
Quarta-feira 22 Maio  
Samar Badawi: Ativista saudita recebe prêmio internacional
Retrato de Karima Idrissi
Map
Jedá, Arábia Saudita
Jedá, Arábia Saudita

Ativista saudita recebe prêmio internacional

Data de publicação : 7 Março 2012 - 1:39pm | Por Karima Idrissi (Foto: arquivo)
Assuntos relacionados:

A ativista saudita Samar Badawi recebe esta semana, juntamente com nove outras mulheres, o prestigioso prêmio Women of Courage Award, concedido pelo Ministério de Relações Exteriores dos EUA. Ela ficou conhecida internacionalmente em 2010 porque seu pai mandou prendê-la por ‘desobediência’. Recentemente, ela iniciou um processo contra as autoridades de seu país por não poder tirar carteira de motorista.

Por Karima Idrissi e Jannie Schipper

Samar Badawi pediu ao departamento de trânsito de sua cidade, Jedá, uma carteira de motorista. Depois que o pedido foi recebido oficialmente, Badawi telefonou durante dois meses diariamente ao ministério responsável para saber qual era a situação do pedido.

A resposta, segundo a jovem saudita: insultos e tratamento grosseiro. Badawi apresentou então uma queixa contra o Ministério do Interior. É o mais novo passo na luta das mulheres sauditas para poder dirigir, depois de petições, carreatas e prisões ocorridas anteriormente. A ativista Manal al-Sharif, que foi presa no ano passado quando ir dirigir, também apresentou uma queixa.

Direito a uma vida própria
Para Samar Badawi, dirigir simboliza o direito de liberdade de ir e vir das mulheres sauditas. “Hoje uma mulher não pode andar sozinha na rua ou ir a instituições oficiais para providenciar documentos ou viajar”, diz Badawi. “Acho que o Estado não quer dar às mulheres o direito de viajar porque com isso a porta estaria aberta para que exigissem outros direitos”, disse ela à Rádio Nederland.

Badawi tem experiência com o direito a uma vida própria, e principalmente com a limitação deste direito. Em 2010, ela esteve nas primeiras páginas dos jornais quando, sem um devido processo, acabou passando meses na prisão. Por quê? Porque desobedeceu a seu pai – e isso aos 30 anos.

Pai versus filha
“Minha mãe morreu quando eu tinha 13 anos”, conta Badawi. “Meu pai me bateu, me insultou e me pôs pra fora de casa.” Mesmo quando ela se casou e teve um filho, o pai continuou se metendo em sua vida. O casamento terminou em separação e Badawi voltou a viver com seu pai. Na Arábia Saudita, é costume que o homem tenha a guarda da mulher e que o pai seja novamente responsável por ela depois de uma separação. Mas os maus tratos recomeçaram.

Quando ela foi com seu filho para um abrigo para mulheres e decidiu iniciar um procedimento para que seu pai não tivesse mais custódia sobre ela, ele apresentou uma queixa por ‘desobediência’. Um dos argumentos: Samar tinha assinado uma petição para que mulheres tivessem o direito de dirigir. Depois que uma primeira queixa – também contra o irmão de Samar, que apoiava sua irmã – foi rejeitada, o pai tentou mais uma vez e encontrou um juiz conservador que lhe deu razão. Badawi foi para a prisão sem um processo justo.

Graças a ações internacionais, ela foi libertada depois de sete meses. Ela agora está sob custódia de seu tio e não mais de seu pai. Pouco tempo depois ela voltava às manchetes exigindo o direito, como mulher, de votar. Isso foi em abril de 2011. Alguns meses depois o rei saudita anunciaria que em breve as mulheres teriam direito ao voto.

O que é mais ‘imoral’?
Samar Badawi agora aguarda a decisão do tribunal sobre sua queixa a respeito da carteira de motorista. “E se não for aprovada exigirei uma explicação.” Ela combate os argumentos religiosos e sociais contra a mulher na direção com argumentos religiosos e sociais a favor disso: “Sou mãe e trabalho, e não tenho um chofer. O que então é mais arriscado ou mais imoral: que eu me sente no carro com um homem desconhecido ou que eu mesma dirija?” O problema são sempre os homens, diz Badawi: “As mulheres querem, mas o marido, pai ou irmão têm medo das autoridades ou do que os outros irão dizer.”

Isso já não vale para ela. Em todas as suas ações judiciais, Badawi é assistida pelo advogado de direitos humanos Walied Abou Khair, com quem acabou se casando. “Meu marido é meu suporte e âncora”, diz Badawi. “Quando, no primeiro grande dia de manifestação (17 de junho), fui dirigir e liguei para ele para contar, ele foi o primeiro a me encorajar.”
 

Debate

Submeter um novo comentário

O conteúdo deste campo é privado e não irá ser exibido publicamente.
  • Marcadores de HTML permitidos: <a> <em> <strong> <cite> <code> <ul> <ol> <li> <dl> <dt> <dd> <p> <br>
  • As linhas e os parágrafos quebram automaticamente.
  • Endereços de páginas web e endereços de e-mail são transformados automaticamente em ligações.

Mais informação sobre as opções de formatação

Vídeos

Holanda: bigode laranja para a Eurocopa
Ruas cor de laranja, bandeiras vermelhas, brancas e azuis e decoraç...
Pastores sonham com dias melhores
Pastores estão lentamente desaparecendo da paisagem holandesa....
Recordes na venda de arte moderna
Na casa de leilões Christie’s em Amsterdã, obras de...