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Ali Ferzat
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Kuwait, Kuwait
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Ali Ferzat já está "treinando" seus dedos

Data de publicação : 30 Dezembro 2011 - 5:34pm | Por Jannie Schipper (RNW)
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“Assim que meus dedos estiverem sarados, eu volto”, diz o famoso cartunista sírio Ali Ferzat. Espancado em agosto passado, ele teve suas mãos machucadas e não pôde desenhar por um tempo. No início deste mês, Ferzat recebeu o prêmio Sacharov de liberdade de expressão.

Ali Ferzat (1951) trabalha há 30 anos como cartunista na Síria. Recebeu diversos prêmios por seu trabalho, entre eles, em 2003, o prêmio Príncipe Claus, na Holanda. Até o começo de 2011, uma cadeira representava os ocupantes do poder nos desenhos de Ferzat. Mas desde abril deste ano ele desenha o presidente e outros poderosos de maneira reconhecível.

“Os tempos mudaram”, conta Ferzat por telefone do Kuwait. “Antes as pessoas tinham tempo para pensar em casa sobre os símbolos que nós utilizávamos. Desde que a população foi para as ruas, temos que ser mais diretos.”

Barreira de medo
“O medo toma conta das pessoas, mesmo de mim”, continua Ferzat. Um ano atrás ele decidiu quebrar esta “barreira de medo”. “Fui a primeira pessoa a desenhar o presidente, pessoas do serviço de segurança e ministros desde 1963.”

Esta coragem foi quase fatal para ele no dia 25 de agosto deste ano. Como de costume, Ferzat deixou seu escritório e entrou em seu carro. No caminho, um carro de janelas blindadas o bloqueou. Ele conhecia este tipo de carro do serviço de segurança. Os homens que o sequestraram e espancaram miravam especificamente seu rosto e suas mãos. Segundo Ferzat, eles tinham cassetetes “como os utilizados pela polícia”. Depois ele foi jogado de um carro em movimento na estrada para o aeroporto, a uns 50 quilômetros de sua cidade, Damasco.

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“Ninguém parava para me ajudar, de tão horrível e ensanguentado que eu estava.” Quando um caminhão com trabalhadores parou por causa de um pneu furado, ele finalmente conseguiu voltar para a cidade. Agora Ali Ferzat está se recuperando no Kuwait.

Velhos conhecidos
Ferzat e Bashar al-Assad são velhos conhecidos. O cartunista trabalhou no passado para diferentes veículos estatais e conhecia o presidente pessoalmente. “Antes de Bashar al-Assad chegar ao poder, ele tinha discussões com intelectuais e artistas. Nós podíamos sugerir soluções para os problemas que encontrávamos.”

Quando Bashar, em 2000, assumiu o bastão de seu falecido pai, Hafez al-Assad, ele falava em liberdade e modernização, lembra Ferzat. Estimulado pelo presidente, o cartunista começou em 2000 a revista independente Al-Domari (a ignição da lâmpada), que foi considerada a primeira revista independente desde que o partido Baath assumiu o poder.

Censura
Mas a alegria durou pouco. “O mesmo presidente que havia me estimulado a criticar a máfia econômica do país ausentou-se quando esta mesma máfia me declarou guerra.” Quando o regime, depois de alguns meses, compreendeu que a Al-Domari não temia fazer fortes críticas, a censura foi ficando cada vez pior.

“Às vezes publicávamos páginas em branco no lugar dos artigos censurados”, conta Ferzat, dizendo com alguma ironia: “Os exemplares brancos venderam melhor do que os impressos.” O sistema de distribuição foi assumido pelo regime – “de forma que eles tinham a liberdade de não publicar a revista. ”Depois de dois anos, a Al-Domari chegou ao fim.

Ferzat está convencido de que as revoltas na Síria irão vencer o sistema. “A resposta de repressão escolhida pelo regime falhou. Agora as pessoas vão de encontro a armas mortais de peito nu.”

De volta à Síria
Ferzat está treinando seus dedos. Assim que sarar, o desenhista quer voltar à Síria. Não há outra escolha, ele diz. “Não tenho um supermercado que eu possa abrir e fechar. Desenhar é minha profissão. A arte é um dom divino. Tenho que continuar levando a minha mensagem.”

*Esse artigo é uma co-produção com PRI’s The World

  • © Ali Ferzat - http://www.radioholanda.nl
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