A Rádio Nederland muda de rumos e seguirá adiante com menos recursos. Será uma organização bem menor, cujo enfoque será a liberdade de expressão (Free Speech). Da antiga à nova RNW: uma volta pelas redações que deixarão de existir e outras que deverão se adaptar às novas circunstâncias.
Parte II: A redação Ásia do Sul
“O Sul da Ásia é uma região onde não é fácil trabalhar. Não existe uma cultura de rádio, como no ocidente, e há censura política. Também não existe uma imprensa independente que critique os governos ou informe sobre temas controversos. De alguma maneira, essas condições são “ideais” para uma redação como a nossa, que trata dos temas tabus na região”, diz Dheera Sujan, redatora e coordenadora da seção Sul da Ásia na Radio Nederland.
No entanto, essa redação deixará de existir em 1º de julho de 2012, menos de três anos após sua criação, que foi mais ou menos espontânea.
De blog à seção
“A redação Sul da Ásia surgiu do meu blog pessoal para a região, que comecei a publicar em 2009”, explica Sujan. “A ideia era possibilitar um diálogo entre as pessoas nos diferentes países. Ainda que haja contato entre os governos, não há quase nada entre os cidadãos”.
Sujan viveu até os oito anos de idade na Índia. Depois sua família imigrou para a Austrália e finalmente ela se mudou para a Holanda, onde começou a trabalhar na seção em inglês da Radio Nederland. Dheera Sujan continua mantendo contato com sua pátria. Viaja anualmente para a Índia e conhece os outros países onde a Radio Nederland também está presente: Paquistão, Bangladesh, Nepal, Butão, Sri Lanka e as Maldivas.
Em 2010, a Radio Nederland decidiu dedicar mais atenção à nova grande economia emergente, Índia, e instalou uma redação responsável pelo Sul da Ásia. Sujan trabalha junto com Devi Boerema e Johan van Slooten. Com seus companheiros, administra a página na internet e semanalmente apresenta o programa de rádio South Asia Wired. As produções jornalísticas da redação chegam aos seus associados regionais, que as reproduzem.
Tabus
O objetivo da redação Sul da Ásia era melhorar o contato entre os cidadãos e tratar de temas tabus. Isso não se consegue anunciando a verdade a partir de Hilversum, mas propondo temas que possam ser discutidos na região. Por exemplo, dando espaço a artistas indianos e paquistaneses dispostos a falar sobre temas que interessem à população, mas que apenas são falados dentro das fronteiras nacionais.
“Há inúmeros temas que poderiam ser mencionados: a disputada região de Cachemira, o conlito no Sri Lanka, direitos humanos, ajuda ao desenvolvimento, direitos da mulher, liberdade sexual. Todos esses assuntos são de interesse geral, mas quase não se fala sobre eles. Pelo mesmo motivo, são os que causam mais reações. Uma de nossas principais tarefas era aclarar os temas e colocá-los em contexto. Isso é de suma importância, também para os indianos, paquistaneses e outros sul-asiáticos que vivem longes de seus países. A redação Sul da Ásia também estava direcionada para eles”, diz Sujan.
Iniciativas locais
Agora que a redação deixará de funcionar, “as pessoas terão de buscar por contra própria a informação sobre os temas que colocamos em discussão. É claro que é possível encontrar, mas a informação está dispersa e terão que buscá-la em diferentes sites na internet.”
“A época em que nós, o mundo ocidental, lançávamos histórias nas qual contávamos como o mundo está organizado ficou pra trás. As pessoas devem ser responsáveis pelo próprio destino e nisso o desenvolvimento rápido das mídias sociais, da internet, e dos smartphones pode ajudar por oferecer possibilidades de informar e de manter-se informado”.
Na região sul-asiática há iniciativas como as rádios comunitárias. Poderiam chegar a ter um papel de importância, mas para isso é necessário que os voluntários que as levam adiante aprendam mais sobre o ofício. Além disso, sempre devem ter muito cuidado com os temas que elegem. “A crítica ao governo não está oficialmente proibida, mas em países como o Sri Lanka e o Paquistão pode causar sérias dificuldades aos comunicadores”, afirma Sujan.












O mundo hoje, ainda passa por muitas definições e incorreções, que por vezes deveriam ser mais bem aclaradas do ponto de vista econômico, social e político. Enquanto não houver definições sobre essas questões não haverá uma justiça social e, muito menos uma colaboração efetiva entre os povos na busca de uma paz duradoura.
Temos muito por fazer e, acho que o formato de programação escolhido pela RNW é um formato bem próximo do ideal que almejamos para a construção de uma sociedade mais equilibrada do pontoo de vista social, politico e financeiro.
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