O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, que chega o Brasil nesta quinta-feira, pretende pedir ao presidente Lula maior apoio à luta do povo palestino e, concretamente, reforçar seu desejo que as Nações Unidas reconheçam a independência palestina em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Esses territórios palestinos foram ocupados por Israel durante a chamada Guerra dos Seis Dias, ocorrida em 1967. Gaza foi desocupada em 2005 e os outros territórios continuam ocupados por Israel.
Antes de partir para uma ampla viagem pela América do Sul, o principal negociador da Autoridade Palestina (AP), Saeb Erekat, disse que já houve o pedido de apoio aos países da União Europeia, e esperam contar também com o respaldo do novo governo dos Estados Unidos. Erekat e Mahmut Abbas vão se encontrar com o presidente Lula na Bahia, nesta quinta e sexta-feira, depois seguem para o Rio Grande do Sul, onde se encontram com a comunidade árabe local, partindo para a Argentina e o Chile, antes de voltarem para a Europa.
O Rais (presidente) palestino anunciou, recentemente, que iria renunciar a seu cargo. No entanto a Comissão Eleitoral Palestina acaba de recomendar a ele que atrase a convocação das eleições presidenciais e legislativas previstas inicialmente para o próximo dia 24 de janeiro. Ainda que se aleguem razões técnicas para isso - a impossibilidade de que as listas de candidatos fossem publicadas em 14 de novembro -, é fácil entender que existam outras razões mais poderosas para justificar a medida.
Segundo Jesús A. Núñez Villaverde - Codiretor do Instituto de Estudos sobre Conflitos e Ação Humanitária (IECAH), "Abbas não só não conseguiu nenhuma melhora no nível de bem-estar e segurança dos palestinos da Cisjordânia e (muito menos) de Gaza, sem que tenha sofrido o desprezo de israelenses (empenhados em que "não haja interlocutor para a paz") e americanos, ao exigirem que Israel detenha os assentamentos.
Seu anúncio - que não deve interpretar-se automaticamente como uma verdadeira vontade de retirada - busca, previsivelmente, uma reação desses mesmos atores`.
Na semana passada o presidente Luís Inácio Lula da Silva se encontrou com o presidente de Israel, Shimon Peres. Na ocasião, Lula rejeitou críticas sobre as relações com os países árabes e sobre a visita programada do líder do Irã ao país, dizendo que todos os lados devem estar envolvidos para alcançar a paz no Oriente Médio. Na frente do presidente Peres, Lula disse que "não se constrói a paz necessária no Oriente Médio se você não conversar com todas as forças políticas e religiosas que querem paz e que se opõem à paz". Lula marcou, assim, a posição do Brasil e, quem sabe, está abrindo espaço para a intermediação ou entrada do governo brasileiro nas negociações de paz.
Já o presidente Mahmud Abbas, com esta viagem e sua anunciada renúncia, joga sua última cartada, sabendo que o futuro não depende dele mesmo, mas dos outros atores. O movimento islâmico radical Hamas, que governa a Faixa de Gaza, também prefere esperar tempos melhores para jogar suas cartas, como define Jesús A . Núnez. Segundo ele, "Israel conseguiu - mais uma vez - dobrar a mão de Washington. Obama jogou a toalha no ringue (se rendeu), o que deixou sua imagem prejudicada diante dos que acreditavam que nesse assunto ele marcaria uma mudança real em relação a seus predecessores A partida no Oriente Médio continua, ainda que no final esteja prevista a decepção para os amantes da paz`.













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