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Hilversum, Holanda
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A turbulenta e trágica vida de Zahra Bahrami

Data de publicação : 2 Fevereiro 2011 - 2:41pm | Por Sebastiaan Gottlieb (Foto: ANP)
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Adrie Tilburg foi o advogado da holando-iraniana Zahra Bahrami. Ainda que anteriormente ela houvesse sido condenada na Holanda por tráfico de drogas, Tilburg está convencido de que Bahrami não havia se envolvido com drogas no Irã. “Há duas semanas, em um telefonema, ela jurou pelos próprios  filhos que as drogas haviam sido colocadas no apartamento dela. Que ela não seria tão ingênua a ponto de se envolver com drogas no Irã”.

Repúdio
Zahra chegou à Holanda com seu filho em 1994, onde foi aceita como refugiada. Suas duas filhas ficaram no Irã. Na Holanda, ela mudou seu sobrenome, de Mehrabi para Bahrami, porque ela acreditava que com o próprio sobrenome jamais poderia voltar ao Irã. Bahrami se exilou porque havia sido repudiada pelo marido, que achava que ela levava uma vida libertina. Ela o havia traído.

Junto com o filho, Bahrami viveu, primeiro, em um centro para refugiados e depois em Spijkenisse, cidade próxima à Roterdã. Ela ganhava a vida cantando e dançando música indiana, ao mesmo tempo em que estudava sitar no conservatório de Roterdã.

Drogas e suicídio
Em 2000, uma das suas filhas suicidou-se no Irã. O filho, que vivia com ela na Holanda, tornou-se um dependente químico e passou a levar uma vida errante. Começou a roubar e foi preso. Até agora ele cumpriu metade de sua pena.Durante sua permanência na Holanda, Bahrami acompanhava a televisão iraniana através de uma antena parabólica. Ela viu imagens de dezenas de pessoas sendo enforcadas.

Com terror, constatou que seu irmão era um dos executados. Para ela foi um assombro absoluto, ela não sabia de nada.Em 2003, ela foi presa no aeroporto de Schiphol com uma maleta contendo 16 quilos de cocaína. Ela havia contrabandeado a droga em Sint Maarten. Bahrami foi condenada a três anos de prisão. Ela diz que carregou a cocaína para poder manter a outra filha, que ainda vivia no Irã.

Nova vida
Após ter sido libertada, Bahrami viajou ao Irã para trazer essa filha para a Holanda. Elas fugiram juntas, do Irã para a Turquia. Na embaixada holandesa em Ancara, ela pediu um visto de permissão provisório, que foi negado porque os laços familiares com a sua filha não eram sólidos. Ela não havia visto sua filha nos últimos seis anos.

Em 2006, Bahrami mudou-se para a Inglaterra com a intenção de começar uma nova vida. Torna-se então ativista política e apoia o movimento de oposição no Irã. Nesse tempo também viaja algumas vezes ao país.

Um ano mais tarde, é presa na Holanda com um passaporte falso. Novamente cumpre pena de prisão.

Em dezembro de 2009, Bahrami é presa em Teerã porque marchou em grandes manifestações no Irã. A princípio, foi acusada por debilitar o estado e por blasfêmia. Ela ficou presa na ala política da prisão de Evin, no Teerã.

Acusação
Mais tarde ela também foi acusada de portar drogas. No apartamento dela, em Teerã, foram encontrados 400 gramas de cocaína. Bahrami negou estar envolvida com drogas. Seus amigos e advogado acreditam que as drogas foram colocadas no apartamento dela para prejudicá-la.

Em 1º de janeiro de 2011, ela foi condenada à morte por possuir drogas. O veredicto foi confirmado pelo porta-voz do ministro iraniano de Relações Internacionais em 22 de janeiro. O ministro holandês de Relações Internacionais ouviu,do embaixador iraniano, que a sentença seria executada após a acusação sobre as atividades políticas de Bahrami ter sido tratada. A segunda acusação nunca foi apresentada. Zahra Bahrami foi enforcada em 29 de janeiro, aos 45 anos.

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