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Viena, Áustria
Viena, Áustria

A preocupação com a Aids está fora de moda?

Data de publicação : 20 Julho 2010 - 12:46pm | Por Michelle Chakkalackal (RNW)
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A Conferência Internacional sobre Aids 2010 abriu suas portas no último domingo em Viena, na Áustria, para cerca de 25 mil delegados de 100 países. É o maior comparecimento desde a conferência de 2006 em Toronto, no Canadá. No entanto, o barulho em torno do evento e as celebridades sumiram, deixando os envolvidos se perguntando se a preocupação com a Aids saiu de moda.

Para combater este sentimento crescente, os organizadores da conferência adotaram o slogan ‘Rights Here, Rights Now’, que põe ênfase nas questões de direitos humanos como a proteção dos direitos de populações marginalizadas – homossexuais, usuários de drogas intravenosas e trabalhadores do sexo – e a necessidade de acesso universal ao tratamento do HIV. O slogan também sugere que os organizadores querem o retorno do ativista da Aids.

A volta dos ativistas

Se houve um tempo em que o ativismo foi necessário no combate à Aids este momento é agora. De 14 milhões de pessoas que precisam de tratamento, pouco menos de 4 milhões têm acesso aos medicamentos.

Ao invés do clamor público que se via no final dos anos 1990, a percepção é que a Aids não é mais um problema urgente. Uma atitude tão blasé e tão difundida que Kevin Moody, da Global Network of People Living with HIV (GNP+, rede global de pessoas vivendo com HIV), moderou na segunda-feira um simpósio intitulado ‘O ativismo da Aids morreu?’.

Fadiga
Ninguém está imune dos sentimentos de fadiga da Aids. Até o dr. Peter Piot, ex-presidente da Unaids, foi recentemente citado no jornal The New York Times dizendo “tenho medo que estejamos num ponto de virada na direção errada”. Ele também liderou uma sessão na tarde de domingo, esperando mudar esta maré. Sua apresentação foi intitulada ‘Será este o fim da diplomacia da Aids?’.

O fato de que aconteceu pouco antes da cerimônia de abertura da conferência é motivo de preocupação. Muitos estão seriamente preocupados que o prazo fixado para dezembro de 2010 para que líderes mundiais atendam ao comprometimento de expandir o tratamento universal para o HIV não será cumprido.

E qual é o custo de controlar a epidemia de HIV?

Michel Sidibe, atual presidente da Unaids, disse que cerca de 27 bilhões de dólares são necessários, mas os fundos provenientes de doadores são de apenas 10 bilhões de dólares. Atualmente, os Estados Unidos são os maiores doadores para o tratamento da Aids.

Cortando custos
Sem dinheiro após a recessão global, os EUA estão tentando cortar custos realocando fundos para doenças infantis curáveis e de tratamento mais barato. Se outros doadores seguirem o exemplo, será desastroso para a expansão do acesso ao tratamento do HIV.

O custo de curar doenças infantis como sarampo, malária e tétano fica entre 1 e 10 dólares. Uma vez que a Aids não tem cura, o custo de tratamento de uma pessoa infectada pelo HIV é para a vida inteira. Em Uganda, estima-se que seja de 11.500 dólares. Portanto, para cada pessoa que recebe tratamento de Aids, seria possível salvar 1500 crianças com doenças curáveis, fazendo da transição para o tratamento de doenças infantis um forte argumento.

O problema com este tipo de racionalização é que se poderia estar salvando a vida de uma criança apenas para vê-la mais tarde morrer de uma doença relacionada à Aids. Portanto, é um tipo de pensamento míope e que também pode sair mais caro no longo prazo.

A principal questão agora é saber se o ativismo para as questões relacionadas à Aids e o comprometimento político para combater a doença voltarão à cena como protagonistas, ao invés da própria Aids.

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