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Sábado 25 Maio  
Celebração em Nova York pela notícia da morte de Osama bin Laden.
Retrato de John Tyler
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Hilversum, Holanda
Hilversum, Holanda

A indignação de um americano

Data de publicação : 2 Maio 2011 - 2:56pm | Por John Tyler (Foto: Dan Nguyen/Flickr CC)
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“We’re number one, we’re number one!” Cantam meus compatriotas celebrando a notícia da morte de Osama bin Laden. Poderia-se pensar que os Estados Unidos acabaram de vencer a Copa do Mundo.

Minha reação em meu país de adoção, a Holanda? Indignação.

Alívio
Não me entenda mal: não estou triste pelo fim do homem responsável pelos atentados de 11 de setembro de 2001. Na verdade, também estou aliviado em saber que Osama bin Laden já não pode planejar este tipo de ataque em nenhum lugar do mundo.

Mas as celebrações em frente à Casa Branca, no ‘Ground Zero’ em Nova York, e em outros locais nos Estados Unidos, são inapropriadas. O ato de levar alguém à justiça não deve ser confundido com um ato de vingança. O país mais poderoso do mundo não deveria realizar assassinatos por vingança.

As celebrações não surpreendem. Com frequência vemos norte-americanos festejando em frente a prisões onde um condenado à pena de morte foi executado. A pena de morte nos EUA pode estar sendo questionada, mas seus apoiadores a defendem como retribuição, mais do que como punição.

Guerra contra o terror
Em nível internacional, a alegria pela morte de Bin Laden surpreende ainda menos, considerando a atitude dos EUA frente ao direito internacional. Os Estados Unidos, inequivocamente, nunca apoiaram o direito internacional. Mas recentemente, com a opção pela guerra no Iraque e a detenção ilegal de centenas na prisão de Guantânamo, os EUA violaram normas legais internacionais.

O ex-presidente George W. Bush justificou estas violações alegando que os Estados Unidos estavam em guerra, e em estado de guerra, aplicam-se regras diferentes. Nunca ficou claro até que ponto um país pode-se dizer em guerra contra um conceito, ‘o terror’, ou mesmo uma organização, ‘a al-Qaeda’.

Ao assumir o governo, o presidente Barack Obama mudou a política dos EUA. O país já não conduzia a ‘Guerra contra o Terror’. Ele planejava pôr fim ao envolvimento militar norte-americano no Iraque e fechar o centro de detenção de Guantânamo. Foram dados passos para as duas coisas, mas em nenhum dos casos atingiu-se o objetivo.

Tortura
De fato, o prosseguimento que Obama deu à guerra no Afeganistão agora pode ter valido a pena. E além do mais, informações extraídas sob tortura anos atrás em Guantânamo podem ter ajudado na descoberta do esconderijo de Bin Laden. Para muitos, isso justificará inteiramente a política de ignorar o direito internacional. Eu não estou tão certo disso.

Mas agora o inimigo número um dos Estados Unidos foi morto, baleado de perto, na cabeça. O presidente Obama disse que Bin Laden foi “levado à justiça”.

Não foi. Osama bin Laden foi morto numa bem-executada ação militar. Se Bin Laden tivesse sido levado à justiça, teria sido preso e levado aos Estados Unidos, ou ainda melhor, a um tribunal internacional para ser posto em julgamento.

Emoção
Em 11 de setembro de 2001 eu já vivia fora dos Estados Unidos. Passei aquele dia no telefone, tentando desesperadamente contatar amigos e familiares em Nova York. Sei o que este momento significou para todos em Nova York e no resto do mundo.

Agora, quase 10 anos mais tarde, é triste ver que é novamente a emoção, e não a razão, na ordem do dia.

Debate

Jorge Alberto Lamb Japur 2 Maio 2011 - 6:26pm / Brasil

Pior do que a informação e o ato em sí é o que não foi informado com relação à morte de Osama Bin Laden.

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