Uma avó de 81 anos foi detida na semana passada por vender drogas e supervisionar sua entrega na Costa Rica. Na casa dela, foram encontradas 235 pedras de crack, além de pacotes e cigarros de maconha, segundo informaram fontes oficiais. Esta é uma das muitas histórias que diariamente aparecem na América Latina.
Por Laura Pinto
O narcotráfico busca maneiras diferentes para chegar ao seu destino. A melhor forma de fazê-lo é através de pessoas que não despertem a atenção das autoridades. Nos últimos anos, aumentou o número de idosos que se dedicam à venda de drogas na América Latina. A situação econômica dos países e o precário ambiente onde vivem alguns anciãos os obriga a dedicar-se a esta atividade ilícita.
Perfil do ‘narcoavô’
Sob uma aparência vulnerável e inocente, conseguem passar despercebidos. Esse foi o caso de María Luisa Padilla, uma nicaraguense de 87 anos que traficava drogas para a Guatemala. A velhinha, que se locomovia por cadeira de rodas, foi detida no aeroporto com três quilos de cocaína junto ao seu corpo. Devido a sua aparência, inicialmente não levantou suspeitas entre os policiais, o que não impediu que tenha sido detectada e, finalmente, presa.
É precisamente esse tipo de pessoas que utilizam para evitar suspeitas das autoridades e seguir traficando drogas. Nesse contexto, os avós são selecionados por pequenos traficantes. Tentados pela possibilidade de receber entre quatro e cinco mil euros por cada entrega, as pessoas em idade avançada, que recebem muito pouco como aposentados, acabam entrando no comércio ilegal.
Ao gritar “a avó está cozinhando”, uma viúva argentina de 71 anos chamava aos conhecidos que queriam comprar drogas. Todos os que consumiam na área sabiam que esse era o sinal e que deveriam ir à casa dela. Esta ‘narcoavó’ era a chefe de uma organização que comercializava drogas e abastecia a um grupo de mulheres que distribuíam maconha. Segundo especialistas, o perfil dessas mulheres é muito comum, já que entram no negócio herdando a atividade de algum familiar, ou forçadas por outras circunstâncias.
É o que também afirma o presidente da Associação Antidroga da República Argentina (AARA), Cláudio Izaguirre, que explicou que, geralmente, os avós que traficam drogas “são pessoas que praticaram o delito durante sua juventude e idade adulta, todos têm antecedentes penais. São delinquentes em idade avançada que se aproximam desses grupos para oferecer seus serviços”.
“Carregam veneno para matar crianças”
Nesse sentido, Izaguirre foi muito crítico ao não acreditar na possibilidade de que os idosos se dediquem a estas atividades como meio de subsistência, sem haver tido relações com o negócio antes. “Não se convence a um avô inocente, que jamais tenha cometido nenhum tipo de delito, a carregar veneno para matar crianças”, afirma.
E não parece nada absurdo depois de que, no verão do ano passado, um homem de 76 anos foi preso na Argentina por vender drogas embrulhadas em papéis de bala. O idoso se dedicava à distribuição e comercialização da cocaína que, posteriormente, era empacotada como guloseima.
A lei a favor dos idosos
Diante da lei, esse coletivo tem a opção de cumprir pena domiciliar. Esse fator beneficia os idosos e se converte em mais um motivo para continuar vendendo a droga. As leis de alguns países, como Argentina, Brasil, México, Costa Rica, Nicarágua e Panamá, permitem aos maiores de 70 anos cumprir a pena imposta pela justiça em suas casas.
Este fato pode fazer com que os avós sigam traficando enquanto cumprem prisão domiciliar. Foi o caso de Benedicto, um argentino de 84 anos que aproveitava sua reclusão para vender cocaína. Finalmente foi preso de novo pelas autoridades.
Diante desses casos, é justo que pessoas em idade avançada sejam beneficiadas pela lei, apesar de terem cometido delitos que são penalizados com o cárcere? Ou os avós devem ser tratados como qualquer delinquente?
“São delinquentes e devem cumprir as leis como tais, não importa a idade que tenham”, concluiu Claudio Izaguirre, presidente da AARA.





























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