“Meu sofá é seu sofá”. Essa frase define a filosofia por trás do CouchSurfing, uma rede-social internacional sem fins lucrativos que conecta viajantes em mais de 230 países do mundo. A idéia nasceu em 1999 quando o americano Casey Fenton estava viajando de Boston para a Islândia. Ao invés de ficar num albergue da juventude, Fenton mandou um e-mail a 1500 estudantes da Universidade da Islândia perguntando se poderia ficar na casa de um deles. Fenton recebeu mais de 50 ofertas de acomodação. Ao voltar para Boston ele desenvolveu a idéia de sua experiência, que foi a base do CouchSurfing.
A rede funciona por meio do website na internet. Você se inscreve gratuitamente criando um perfil e dizendo se pode oferecer seu sofá a um viajante ou se está apenas a procura de um sofá. Uma vez registrado, basta procurar pela cidade para onde você está seguindo viagem e contatar as pessoas que oferecem seu sofá.
Em geral, as pessoas ficam entre uma e três noites e têm a oportunidade de conhecer mais a fundo a cultura do lugar que estão visitando. O visitante fica numa moradia de verdade, conhece moradores da cidade, além de não ter que pagar pela hospedagem - uma experiência completamente diferente de ficar em um hotel.
Redescobrindo a própria cidade
O engenheiro Alexandre Andrade, 45 anos, embaixador da comunidade no Brasil, aderiu ao serviço em 2007 ao ler um artigo no jornal. Se cadastrou no site e alguns meses depois recebeu o pedido de um mexicano para usar seu sofá. “Eu o busquei no aeroporto e mostrei um pouco do Rio de Janeiro para ele. O mais interessante foi que eu também acabei redescobrindo minha própria cidade”, comenta.
No mesmo ano, ele usou o sofá de outra pessoa em Nova York. Até hoje, ele acredita já ter recebido 250 pessoas e ter ficado em mais de 40 sofás diferentes. “Você conhece pessoas interessantes e inusitadas, como um rapaz que ficou no meu sofá e estava fazendo a volta ao mundo a pé. Imagine só quantas histórias ele não tinha para contar.”
Cotidiano
O holandês Maarten Dekkers, de 31 anos, usou o serviço pela primeira vez neste ano durante sua passagem pelo Brasil. “Um amigo meu já tinha nos falado do CouchSurfing. Como estávamos no Brasil no período do Carnaval, era praticamente impossível encontrar alguma hospedagem. Aí tivemos a idéia de usar o serviço. Foi uma experiência muito boa: ficamos quatro dias no Rio de Janeiro e pudemos ver de perto como é a vida de uma família carioca, participando do cotidiano deles a fundo”, conta.
Segundo Alexandre Andrade o Couch Surfing é um meio de entrar em contato com a cultura local, uma forma de conhecer pessoas, fazer amigos e através desses amigos vir a conhecer o local onde você está de uma maneira diferente, descontraída numa relação baseada na confiança.
O website do CouchSurfing foi lançado publicamente em 2004. O crescimento foi lento. No final do mesmo ano, apenas 6 mil membros haviam se cadastrado. Em compensação, em 2005, o crescimento foi enorme e o número de membros subiu para 45 mil. Atualmente, são quase dois milhões. O Brasil está entre os dez países mais ativos na comunidade, com quase 50 mil membros, e, segundo Alexandre, com uma tendência de continuar crescendo.

























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