Foi inaugurado em Curitiba o primeiro Museu do Holocausto do Brasil. A iniciativa da Casa de Cultura Beit Yaacov visa preservar e resgatar a memória num momento em que surgem pelo mundo correntes que negam a existência do holocausto, além de ter função educativa, abordando também a questão da discriminação e do preconceito nos dias atuais.
“Este museu é importantíssimo para o Brasil porque nós, com iniciativas como esta, conseguimos dar sentido à importância da memória, para que situações de violência, como o holocausto, não fiquem no esquecimento, não sejam colocadas num segundo plano, uma vez que é justamente destas tristes e violentas circunstâncias que as novas gerações têm a possibilidade de olhar pra frente e fazer opções completamente diferentes daquelas que foram feitas por quem usou a tortura e a morte como instrumento de poder”, comentou a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário Nunes, em entrevista à Radio Nederland.
Comissão da Verdade
A ministra da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da Repúblilca, Maria do Rosário Nunes, fez um paralelo da abertura do Museu do Holocausto com a recém-sancionada Comissão da Verdade, dizendo que o Brasil tem muito a aprender com a forma como a comunidade judaica lida com a memória.
“O Brasil está vivendo ensinamentos muito importantes também, para a verdade e memória na nossa própria história, e colhe na experiência, na altivez e na honradez com que o povo judeu trabalha este sentimento de memória diante do holocausto, métodos e caminhos para que possamos ter aprendizagem com as situações mais tristes da história do país.
A Comissão da Verdade e a lei de acesso a informações completam a transição democrática brasileira porque, ainda que nós estejamos vivendo sob uma constituição democrática desde 1988, existem lacunas que não foram respondidas, especialmente sobre a violência do Estado brasileiro, que agiu a partir da tortura, da morte, do desaparecimento forçado de jovens, de ativistas, das pessoas que defendiam a liberdade naquele período. E tudo isso ficou como que adormecido, mas as famílias nunca esqueceram e sempre cobraram respostas dos governos e do Estado brasileiro. A presidenta sancionou nessa semana a lei que cria a Comissão da Verdade com esta missão.
Toda ditadura deve ser abominada, e a comunidade judaica é uma comunidade que na sua história tem esta referência importante sobre a tolerância, a partir das situações do holocausto. Então me parece muito pertinente dizer que este ensinamento de não esquecimento que o Brasil vive hoje ele também colhe do ensinamento da comunidade judaica.”
Em seu discurso durante a cerimônia de inauguração do museu, a ministra destacou que “o esquecimento é tão vil como a própria violência”, e citou que o Brasil pode aprender com os ensinamentos da comunidade judaica, agora que também revisita páginas tristes de seu passado recente com a Comissão da Verdade, sancionada pela presidente Dilma Roussef na semana passada.
Consciência
O projeto do museu – que já era acalentado há uma década – foi idealizado pelo empresário Miguel Krigsner, presidente da Associação Casa de Cultura Beit Yaacov:
“Eu sou filho de dois sobreviventes do holocausto. O que sofreu uma perda maior foi meu pai, que perdeu 23 pessoas da sua família no holocausto”, conta Krigsner. “Durante a vida toda, lembro que meu pai me contava essa história e eu quis fazer uma obra para que isso realmente nunca fosse esquecido. A pessoa que visita um espaço como esse toma uma consciência muito grande. Visitei duas ou três vezes o Museu Casa de Anne Frank, em Amsterdã. Cada vez que a gente entra ali percebe o que foi o holocausto, e infelizmente no Brasil não tínhamos um espaço onde isso estivesse documentado.”
Imersão
Embora pequeno, o museu foi projetado como um espaço de imersão, no qual o visitante é imediatamente levado àquele período histórico. Algumas peças do acervo foram adquiridas, outras doadas pela comunidade judaica local ou cedidas por instituições internacionais como o Yad Vashem, o Museu do Holocausto de Jerusalém.
A opção da curadoria foi utilizar as poucas mas preciosas peças históricas como foco central, mas passar a informação também por meio de vários outros suportes - textos, fotos, áudios, vídeos e bancos de dados interativos.
A história é apresentada em sequência cronológica, começando pelo período entreguerras, conhecido como vida plena judaica – mostrado num painel de fotos e textos à entrada do museu. Em seguida o visitante passa por um pequeno ‘túnel’, como um vagão de trem, e chega ao período da guerra em si, com a formação dos guetos, os campos de concentração, a resistência. Depois, o pós-guerra na Europa e as principais rotas de imigração tomadas pelos judeus, entre as quais estava a América do Sul.
Ao final da visita, um painel aborda outras terríveis guerras, genocídios e situações de violações aos direitos humanos no século 20 – como inúmeros conflitos no continente africano, o apartheid na África do Sul e as ditaduras militares na América Latina –, chegando até os dias de hoje, com as guerras no Iraque e Afeganistão, e os abusos cometidos no centro de detenção de Guantânamo.
Reflexão sobre o outro
A museóloga Maria Eugênia Saturni, curadora do museu, ainda se emociona ao falar do projeto:
“Este projeto me obrigou a ter uma visão dos fatos históricos ao longo do período, mas também me fez repensar as relações que estabelecemos no dia a dia com as pessoas. Como nós encaramos uma notícia no jornal de que morreram cem pessoas na Rocinha, dez pessoas, uma pessoa. Com qual frieza nós às vezes passamos por estas notícias sem nos dar conta do que está ocorrendo à nossa volta ou do que está acontecendo com outros povos. Ele obriga você a refletir e a pensar no outro: quem é o outro, como eu ajo em relação a esse outro, quão diferente ele é de mim e por que ele pode ser diferente de mim e por que eu não posso negar a existência dele. Este tema traz isso à tona e obriga você a refletir constantemente e pensar o que são essas relações.”
O Museu do Holocausto em Curitiba abrirá suas portas ao público apenas em fevereiro e somente com agendamento, já que a ideia é que as visitas sejam sempre guiadas por um monitor apto a e responder as perguntas dos visitantes.






















É certo que no continente de America do Sul muita gente nunca tem lido nem ensinado esta parte escura da historia Europeia, até ha muitos que pensam que Hitler foi na historia um excelente politico Alemão! Portanto, é muito apropriado para informar as pessoas tudo o que tem a ver com a Segunda Gueirra mundial desde a perspetiva das vitimas. Mas alem da importância dum centro assim por a presença judea no Brasil faz tempos coloniais, acho típico que o Brasil sim é patrocinador dum centro judeu mas não quer fazer uma abordagem na genocídio indígena que até hoje é uma pratica do estado.
Amei o artigo e já mandei para meud amigos! É mais do que oportuno, agora que parece que a Inglaterra vai tirar o tema do currículo escolar,por pressão da comunidade árabe que reside lá!
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