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Gustavo Pizzi, diretor do premiado longa-metragem 'Riscado'.
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Amsterdã, Holanda
Amsterdã, Holanda

‘Riscado’: ficção em busca da realidade

Data de publicação : 25 Agosto 2011 - 12:38pm | Por Mariângela Guimarães (Foto: (c)Margô Dalla-Schutte)
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Depois de sair com cinco prêmios importantes do último Festival de Gramado, o longa-metragem ‘Riscado’, do carioca Gustavo Pizzi, teve sua estreia europeia no World Cinema Festival em Amsterdã, onde recebeu menção honrosa do júri. Estrelado por Karine Teles, que também escreveu o roteiro em parceria com Pizzi, ‘Riscado’ retrata de maneira realista a batalha de uma atriz para viver de seu trabalho, mas é também um filme sobre oportunidade, funcionando como metáfora para todos que têm um sonho profissional nem sempre fácil de ser realizado.

Nesta entrevista à Radio Nederland, Gustavo Pizzi fala sobre ‘Riscado’, sobre a relação talento-trabalho-sorte e de sua vontade de aproximar a atuação na ficção do depoimento verdadeiro encontrado no documentário.

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“O nome ‘Riscado’ vem da expressão que ‘aquela pessoa entende do riscado’, que vem lá dos alfaiates, que quando se tinha um grande alfaiate dizia-se ‘aquele ali entende do riscado’, fazia o risco muito bem feito, cortava muito bem. O filme fala de trabalho, fala de alguns elementos que a gente acredita que são necessários para o sucesso, que são: o talento, o trabalho e a sorte. Porque se você não tem talento ou não se dedica pra determinada coisa dificilmente vai conseguir trabalhar com aquilo. E como você consegue trabalhar com aquilo que faz muito bem? Tem um monte de gente que não consegue, que simplesmente não tem oportunidade e aí acaba desistindo daquilo que melhor sabe fazer pra ir fazer outra coisa. Queríamos falar justamente disso: o que é que faz a pessoa acontecer de verdade, qual é o elemento, é sorte? Isso existe, não existe? Como é que se pode pensar isso?”

Você comenta em outras entrevistas que tinha urgência em tratar deste tema. Por que a urgência?


“Porque é uma coisa que a gente está vivendo agora, é um momento da vida. Eu escrevi com a Karine Teles, que é a atriz do filme, e a gente está com trinta e poucos anos, então é um momento em que a vida precisa acontecer pra gente. A Karine é atriz e para os atores é ainda mais cruel, porque você vai ficando velho, vai perdendo oportunidades e a sua carreira deixa de acontecer, você vai diminuindo as suas possibilidades.”

Como vocês trataram este momento no filme e até que ponto a sorte é realmente uma influência essencial?

“Tem gente que não acredita na sorte. Eu não acredito, mas eu trabalho para que ela fique por perto. Não conto com ela, mas gosto muito quando ela está por perto. Mas quando você trabalha duro muitas vezes acontece. Outras vezes não acontece. Sempre vai ter gente muito talentosa que não vai conseguir as coisas, vai ter gente muito talentosa que vai conseguir... (- E vai ter gente sem talento que vai conseguir)... Exato. Cada história é uma história diferente. E o ‘Riscado’ tem uma identificação com o público de uma maneira geral porque quase todo mundo precisa trabalhar, e quando você precisa trabalhar numa coisa que você não gosta e não quer fazer de jeito nenhum, é um peso muito grande, é quase morrer enquanto está vivo, então você começa a questionar por que é que você vive. E às vezes você está no meio de uma coisa e você não consegue sair daquele turbilhão. Então o ‘Riscado’ tem essa vontade de querer ser alguém, que acho que todo mundo tem no final das coisas.”

Você já havia feito um documentário e este é seu primeiro longa de ficção. Você se vê pendendo mais para um lado ou para o outro?

“Acho que uma coisa completa a outra. Eu gosto muito de trabalhar no limite entre as duas coisas. O trabalho de ator que eu venho buscando é uma coisa que eu aprendi com documentário, por exemplo. Meu primeiro filme foi sobre a Casa Rosa, um prostíbulo no Rio de Janeiro, e eu levei uns senhores de 70, 80 anos, outros mais novos, de volta para aquele mesmo lugar onde há 50 anos ele passou uma noite incrível para ver o que sobrou de memória, de história daquilo ali. Quando eu colocava estes senhores no quarto que foi o quarto da primeira experiência sexual eu via dentro do olho dele toda uma história acontecendo. Isso me chamou muita atenção e me fez tentar reproduzir isso na ficção e fazer uma coisa acontecer de verdade em frente da câmera, ter um momento único e verdadeiro enquanto a câmera está ligada.”

E como você consegue chegar a este ponto?

“Tem muito trabalho. Não tem uma fórmula. Com a ficção é muito difícil chegar neste lugar. O único jeito que eu sei tentar fazer isso é com excelentes atores, saber muito o que você quer fazer, ter uma equipe muito afinada de uma maneira geral – a produção, assistência de direção, fotografia, som – pra tudo estar perfeito naquele momento. Com ‘Riscado’ acho que a gente consegue ir atrás deste caminho e a gente ficou bem feliz com o resultado, mas claro, a gente quer fazer mais e fazer melhor sempre.”

‘Riscado’ tem estréia prevista nas salas de cinema do Rio e de São Paulo em setembro, indo depois para outras capitais brasileiras.
 

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