O desenvolvimento previsto no ambicioso plano Metas do Milênio da ONU não vai ser cumprido, como já declararam fontes de diversos setores. A Comissão Econômica para a África reafirmou esta avaliação através de um informe publicado esta semana. O diretor de Políticas Sociais e Econômicas da comissão, Augustin Fosu divulgou dados mostrando que os avanços no continente africano estão caminhando em marcha bastante lenta, na maioria dos seus 53 países.
Pobreza e fome
De acordo com as Metas do Milênio estabelecidas em 2000 para até 2015 serem alcançadas, a fome e pobreza deveriam ser diminuídas pela metade, no mundo. No caso da África aumentou e 90 milhões a mais de pessoas estão passando fome no continente, um processo que começou na década de 90 e se explica pela falta de investimento externo prometido, segundo Augustin Fosu.
A África Subsaariana é a região onde se constata o maior número de desnutridos e somente 14 países desta área conseguiram reduzir a sua população faminta em 25 por cento. No total cerca de 40 por cento da população regional não recebe alimentação adequada, de acordo com dados do Banco Mundial.
Alfabetização
A alfabetização, com o oferecimento de ensino básico e o direito de educação para as crianças do mundo, é outro aspecto que está longe de alcançar suas metas traçadas para a África e ainda registra um retrocesso. Atualmente, 50 por cento da população infantil africana está frequentando a escola fundamental. Dez anos atrás cerca de 57 por cento das crianças do continente estavam matriculadas na escola básica.
1. A Comissão Econômica para a África foi estabelecida em 1958, sob a direção da ONU e tem como missão apoiar o desenvolvimento social e econômico entre os 53 países africanos, além de promover a integração e cooperação internacional.
2. Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio tem 13 áreas prioritárias as chamadas forças-tarefas: fome, educação, igualdade de gênero, saúde infantil e saúde materna, AIDS, acesso a medicamentos essenciais, malária, tuberculose, meio ambiente, água, moradores de assentamentos precários, comércio e Ciência/tecnologia/inovação.
Igualdade de gênero
Ainda há muito que se fazer neste campo, segundo a Comissão Econômica para a África, apesar de que em alguns países africanos mais meninas passaram a ter vaga nas escolas dando uma certa vitória aos ativistas na luta contra a discriminação sexual. Contudo, na vida política e pública a representação feminina ainda distante de ser a ideal. As mulheres ainda poucos postos de trabalho na direção de instituições públicas, assinala a Comissão.
Mortalidade Infantil e materna
A redução está sendo “dolorosamente lenta”, na África Subsaariana, em particular. Em 1990 o número de óbitos era de 186 em mil nascimentos entre menores de cinco anos de idade e em 2002 este número foi reduzido para 174 em mil nascimentos. Já no norte do continente o índice baixou: de 87 mortes em mil nascimento, em 1990 para 39 em mil, no ano de 2003, principalmente por causa das campanhas de vacinação em massa. Quanto à mortalidade materna há pouco progresso há se registrar. Somente no Cabo Verde, em Botsuana e ilhas Maurício houve uma diminuição neste índice.
Aids e malária
O combate a estas duas doenças, juntamente com a tuberculose estão enquadradas como prioritárias para a ONU. Os dados mostram que 7 por cento dos africanos estão infectados com o vírus da AIDS, HIV enquanto que a malária continua sendo a maior causa de morte no continente, principalmente, de crianças.
Meio ambiente
O norte da África é a sub-região onde que mais foi demonstrado progresso quanto à proteção do meio ambiente e à prevenção do desflorestamento. Somente 1 por cento desta sub-região está afetado pelo desflorestamento enquanto que o fenômeno atinge a 33 por cento de outras áreas do continente.
Qualidade de vida
A qualidade de vida dos africanos está muito abaixo do mínimo desejado, de acordo com o informe da Comissão para a África. Os casos mais notórios de retrocesso foram registrados no Zimbábue e na Costa do Marfim.
A decepção dos países africanos participando da conferência de comemoração de 60 anos da ONU é muito grande. Em entrevista a RN, o pesquisador do Instituto Real de Relações Internacionais, baseado em Londres, Manuel Paulo, responde o que os países africanos esperavam desta conferência, o motivo de sua decepção e qual seria o melhor fórum para se discutir o que falta para que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) comecem a ser cumpridos.













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